Entre linhas e renda: o artesanato como resistência e sustento de jovens
Estudantes encontram no “feito à mão” uma forma de expressão e uma ferramenta de geração de renda.

Lara Elis Dalla Bernardina
Em meio à rotina de estudos, Marissa Machado, 20, estudante de Artes Visuais, encontrou no crochê uma forma de transformar a criatividade em fonte de renda. A produção artesanal, feita a partir de linhas, agulhas e tempo dedicado, resulta em peças únicas, que carregam identidade e valor simbólico.
Ela e outros colegas de faculdade utilizam de peças feitas à mão como princípio para entrar no meio comercial. Entre acessórios, roupas e itens decorativos, os produtos ganham identidade própria e se destacam pela exclusividade do trabalho artesanal. Nesse processo, a criatividade se torna um diferencial competitivo, permitindo que esses estudantes construam suas próprias marcas e explorem novos canais de venda, como as redes sociais e feiras locais.

Entre linhas e desafios
O tempo de produção e o custo dos materiais nem sempre são compreendidos pelos clientes, o que impacta diretamente na precificação das peças. Segundo Sabrina Carvalho, 19, que também atua com o artesanato e pinturas, um dos principais desafios é fazer com que o público reconheça o valor do trabalho envolvido em cada peça. Ela explica que, muitas vezes, os clientes comparam produtos feitos à mão com itens industrializados, sem considerar o tempo, a técnica e o cuidado dedicados ao processo.
Ainda assim, Sabrina destaca que o diferencial do feito à mão está justamente na exclusividade e no cuidado presentes em cada criação. Para ela, nesse cenário, o crochê se consolida como uma alternativa de empreendedorismo criativo, capaz de transformar habilidade em oportunidade e fortalecer a produção cultural no cotidiano, mesmo diante dos desafios do mercado.
Quando criar também é empreender
Segundo o artista Kris Lemos, 20, vendedor de pinturas online, começar a vender as próprias artes ainda na juventude é um passo importante para transformar a criatividade em autonomia. Para ele, esse movimento vai além da renda imediata, funcionando como uma forma de reconhecer o próprio trabalho como algo com valor no mercado.
Kris destaca que muitos jovens já produzem, mas nem sempre se veem como empreendedores, e é justamente nesse ponto que a economia criativa se apresenta como uma possibilidade real de inserção profissional.

Kris também aponta que iniciativas independentes ajudam a desenvolver não só habilidades artísticas, mas também competências como organização, comunicação e gestão. Ao lidar com clientes, prazos e divulgação, esses jovens passam a entender melhor o funcionamento do mercado e constroem uma relação mais consciente com o próprio trabalho. Segundo ele, esse processo fortalece a confiança e incentiva a continuidade na produção, mesmo diante das dificuldades iniciais.
Para o artista, a presença de jovens na economia criativa também contribui para renovar o cenário cultural, trazendo novas estéticas, narrativas e formas de expressão. Kris afirma que, ao ocupar esses espaços, esses produtores ampliam a diversidade e fortalecem a cultura local. Nesse sentido, vender a própria arte deixa de ser apenas uma alternativa de renda e se torna uma forma de participação ativa na construção cultural e econômica do território.