Paixão criativa: crescimento das torcidas no Espírito Santo gera conteúdo, renda e oportunidades
Futebol capixaba impulsiona a economia, mas impacta a saúde dos torcedores

Lucas Almeida
O futebol capixaba ganhou força tanto dentro de campo, quanto como motor da economia criativa no Espírito Santo. O engajamento das torcidas tem impulsionado a produção de conteúdo digital, o trabalho de influenciadores e as comunidades ligadas aos clubes locais.
Times como Porto Vitória, Rio Branco, Desportiva Ferroviária e Vitória vêm registrando crescimento de público e maior presença nas redes sociais, abrindo espaço para iniciativas criativas que transformam a paixão pelo esporte em oportunidade econômica.
No entanto, esse envolvimento intenso também levanta questionamentos sobre os impactos emocionais do fanatismo, especialmente quando a relação com o clube ultrapassa o entretenimento e afeta a saúde mental dos torcedores.
Da arquibancada ao digital: a paixão que gera renda
O torcedor Kauã Sugizaki, de 22 anos, é um exemplo do engajamento crescente no futebol local. Morador da Serra, ele relata que a paixão pelo Rio Branco começou com amigos e se intensificou com as idas ao estádio.
Segundo ele, os resultados das partidas influenciam diretamente seu humor no dia a dia, mostrando como o vínculo emocional com o clube vai além do lazer.
Esse envolvimento também alimenta a economia criativa, especialmente na produção de conteúdo. O influenciador João Drumond, que atua em projetos esportivos digitais, explica que seu trabalho consiste em captar a emoção das arquibancadas e transformá-la em conteúdo para plataformas online. “É dar voz à torcida naquele momento de euforia”, afirma.

O engajamento que gera valor econômico
A vice-presidente da torcida organizada Grenamor Letícia Amaral destaca que mesmo em fases negativas da Desportiva Ferroviária, os torcedores mantêm o apoio incondicional ao clube. Para ela, a paixão é o principal combustível desse vínculo.
Com isso, influenciadores, torcidas organizadas e profissionais da comunicação transformam a paixão em trabalho, ampliando o alcance dos clubes capixabas e fortalecendo a cultura local.
Produção de vídeos, cobertura de jogos, marketing digital e criação de comunidades online são exemplos de atividades que integram a economia criativa ligada ao esporte.
Os riscos dos excessos
Contudo, especialistas alertam para os riscos do envolvimento excessivo. O psicólogo João Vitor Pazini afirma que a pressão por resultados pode desencadear ansiedade, estresse e até quadros depressivos, dependendo do grau de importância que o futebol ocupa na vida do torcedor.
O desafio está em equilibrar esse crescimento com práticas que promovam bem-estar. Especialistas defendem que o consumo do futebol deve ser consciente, para que a paixão continue sendo um vetor de cultura e desenvolvimento — e não um fator de risco à saúde mental.