Roda de conversa marca o início do 29º Curso de Residência em Jornalismo na Rede Gazeta no Espírito Santo

Vitoria Rodrigues
A jornalista especializada em economia Zileide Silva participou de uma roda de conversa com Daniela Abreu, na abertura do 29º curso de Residência em Jornalismo, na manhã da quinta-feira (02) no auditório da Rede Gazeta.

Durante a roda de conversa, a repórter especial do Jornal Nacional falou sobre o início da carreira, representatividade e destacou dois momentos marcantes em sua carreira,
Início da profissão

Durante o bate-papo, Zileide contou como foi se tornar jornalista. Ela brinca dizendo que foi ‘deixa a vida me levar’. Depois disso, conta que foi convidada a fazer rádio ainda na faculdade, com um programa focado em estudantes apresentado pelo Serginho Groisman, atual apresentador do Altas Horas. Naquela época, ela nunca tinha pensado em ir para a televisão. Um dos motivos era a insegurança com a sua voz e outro pelo racismo.
Depois, ao ver a jornalista Gloria Maria na TV, a primeira repórter negra da televisão brasileira, ela toma coragem e decide ir fazer um teste para apresentar um programa no SBT sobre economia. Com o passar dos anos, ela migra pra Globo em 1997, onde continua até os dias atuais. Hoje ela é repórter especial do Jornal Nacional, Globo Repórter e apresentadora eventual do Jornal Hoje. Ela se tornou a primeira mulher negra a apresentar como titular um telejornal diário para todo o Brasil na TV Globo.

Representatividade
Zileide também falou como foi receber o prêmio Glória Maria de Jornalismo, premiação que faz um tributo à jornalista, falecida em 2023, que homenageia jornalistas que tiveram destaque especial.
Eu fiquei extremamente orgulhosa. Poxa, Glória Maria é uma referência de jornalismo, uma referência de pessoa negra que sofreu muito mais do que eu pra chegar aonde ela chegou. A Glória é uma referência. Ela foi uma referência para todos nós negros. E a Glória era negra retinta, então que ainda é mais nesse país racista, que a gente vive, isso é muito mais complicado, né? Então ela abriu portas pra todas nós. Eu tô vendo vários colegas negros aqui, então, gente, ó. Vamos em frente que a gente tem que cavar. Se eu posso estar aqui nesse lugar, todos podem estar aqui nesse lugar. Às vezes, andando pelo Congresso, seguranças negros vêm conversar comigo. E eles falam: eu falo pra minha filha, olha, se a Zileide está ali, você também pode estar. É um peso isso? Sem dúvida que é. Mas, se eu posso ser referências, se eu posso estimular a vocês negros, gente, olha…tamo junto.
Dois momentos marcantes:
11 de setembro de 2001: na época, Zileide Silva era correspondente da Globo, em Nova Iorque, e quando aconteceu o acidente das Torres Gêmeas, ela entrou ao vivo no Jornal Nacional para noticiar quem seria o verdadeiro autor do atentado, mais tarde vai revelado como Osama Bin Laden.
8 de janeiro de 2023: a invasão e depredação as sedes dos Três Poderes da República em Brasília (o Congresso Nacional, o Palácio do Planalto e o Supremo Tribunal Federal) orquestrada pelos apoiadores extremistas do ex-presidente Jair Bolsonaro. Os manifestantes, que protestavam contra o resultado das eleições de 2022, queriam uma intervenção militar para derrubar o governo recém-empossado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Zileide conta que esse dia foi extremamente trágico para a democracia brasileira, pois além dela fazer a cobertura e noticiar em rede nacional, ela presenciou a tamanha calamidade que foi deixado no Senado Federal.
É complicado porque eu trabalho ali todo dia. Eu vi em que estado ficou o Congresso Nacional, eles defecaram no Senado Federal, sabe? Foi muito triste.