Mulheres que Criam: O impacto do empreendedorismo feminino na economia criativa

Do artesanato à gastronomia, capixabas transformam a criatividade em fonte de renda com apoio de projetos voltados ao empreendedorismo feminino.

Encontro promovido pelo Zepelim reuniu empreendedoras em um momento de troca, integração e fortalecimento coletivo, em Vitória. (Arquivo pessoal/ Zepelim)

Gabriella Guerra, Lara Trindade e Mariana Bernardino

A Economia Criativa é um processo que utiliza da criação para que as pessoas possam explorar determinado valor econômico. A economia criativa se tornou uma ótima saída não só para quem procura renda extra, mas também como um trabalho  para o próprio sustento.

Toda essa revolução tem aberto portas para mulheres que desejam  transformar seus talentos em renda. As modalidades mais populares entre o público feminino são moda e design, artesanato, mídia digital e produção de conteúdo, e produtos audiovisuais e gastronomia criativa.

De acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), os bens e serviços culturais representam aproximadamente 7% do PIB mundial, com expectativas de crescimento anual entre 10% e 20%.

Criatividade como ativo econômico

As atividades do setor estão baseadas no conhecimento e produzem bens tangíveis e intangíveis, intelectuais e artísticos. Grande parte dessas atividades vem do setor de cultura, moda, design, música e artesanato. Outra parte é oriunda do setor de tecnologia e inovação, como o desenvolvimento de softwares, jogos eletrônicos e aparelhos de celular. Também estão incluídas as atividades de televisão, rádio, cinema e fotografia, além da expansão dos diferentes usos da internet (desde as novas formas de comunicação até seu uso mercadológico), por exemplo.

Projeto Zepelim

O Zepelim é um projeto idealizado por Alinne Manso e Madalena Almeida com o objetivo de fortalecer o empreendedorismo feminino e impulsionar a economia criativa no Espírito Santo. Criado a partir de uma visão sensível e estratégica sobre o papel das mulheres na sociedade, o projeto se baseia em princípios de colaboração, empatia e protagonismo feminino.

Através de ações integradas e sustentáveis, o Zepelim busca criar oportunidades reais de crescimento para mulheres empreendedoras, promovendo impacto social, econômico e cultural em suas comunidades.

“O Zepelim se consolida como uma importante iniciativa capixaba que une educação, cultura e empreendedorismo em prol da transformação social” Madalena Almeida, coordenadora do projeto

Ao investir no potencial feminino e valorizar a criatividade como ferramenta de desenvolvimento, o projeto contribui diretamente para a construção de uma sociedade mais justa, diversa e economicamente sustentável.

Idealizado por Alinne Manso e Madalena Almeida, o Zepelim tem fortalecido o empreendedorismo feminino e impulsionado a economia criativa no Espírito Santo. Alinne fala sobre a criação do projeto e o impacto transformador da iniciativa na vida de diversas mulheres.

A presença feminina na economia criativa supera os índices registrados no mercado de trabalho brasileiro em geral, evidenciando o setor como um espaço de maior participação e inclusão para as mulheres. (Imagem/ Observatório Itaú Cultural, 2023).

As mulheres representam mais da metade dos trabalhadores no ramo da economia criativa.

O perfil dos trabalhadores da economia criativa permaneceu basicamente o mesmo durante os quartos trimestres de 2023 e 2024. Esta configuração é próxima à configuração do agregado da economia brasileira, com uma maior participação masculina na composição da força de trabalho. Contudo, na economia criativa, a participação feminina é ligeiramente maior em relação ao total da economia brasileira: 45% e 43%, respectivamente.

Esses modelos de negócios são bastante democráticos e inclusivos. Para as mulheres, representa uma alternativa valiosa para equilibrar carreira e vida pessoal, com mais autonomia e flexibilidade.

E porque as mulheres têm se destacado nesse mercado? Ouça a especialista

Histórias que transformam

Além de transformar o artesanato em fonte de renda, muitas mulheres encontram na atividade uma forma de realização pessoal e incentivo para outras pessoas. A artesã Regina Bruzzi conta como o trabalho manual impacta sua vida e também ajuda outras mulheres a conquistarem independência financeira.

Além da oportunidade de vender os produtos, os participantes do Zepelim também recebem orientações sobre organização financeira e divulgação nas redes sociais. A artesã Geciara Ponciano destaca como o projeto contribui para o desenvolvimento do trabalho dos empreendedores.

Todo o mês o Zepelim realiza uma feira de exposições, onde as mulheres podem expor os seus trabalhos como, moda, design, artesanato, produtos naturais. Além das vendas, o projeto oferece formação em áreas como culinária, artesanato, cuidados pessoais e liderança feminina.

A artesã Geciara Ponciano apresenta peças produzidas manualmente durante feira do Zepelim, em Vitória. (Foto: Mariana Bernardino)

Um exemplo disso é a Gercilene Silva, é a primeira vez que ela vem como chefe de cozinha dar a oficina de culinária.

A chefe de cozinha Gercilene Silva conduziu uma aula show durante a programação do Zepelim, compartilhando experiências e técnicas culinárias com o público presente no evento, em Vitória. (Foto: Gabriella Guerra)

“É a primeira vez que eu participo dando uma aula show. Foi muito gratificante porque eu gosto muito de passar o meu conhecimento para outras mulheres” Gercilene Silva, Chefe de cozinha

Contudo, desafios como desigualdade salarial entre gêneros ainda persistem, assim como nos setores tradicionais da economia, mulheres enfrentam rendimentos menores. Para garantir o futuro sustentável e justo da economia criativa, é fundamental que políticas públicas e ações privadas promovam maior inclusão, equidade e valorização de todos os profissionais.

“Nós enquanto Sebrae trabalhamos para que as mulheres, quilombolas, indígenas, possam se capacitar criativamente e se destacando na sua carreira” Clébia Petente, Analista de projetos do Sebrae.

Projetos do Zepelim

Zep´s – Coleção Capixaba

O Zepelim Pocket é uma versão compacta do projeto principal, criada para levar a essência do Zepelim a novos públicos e contextos. o Pocket marca presença em eventos que compartilham os mesmos valores de diversidade, empoderamento e excelência.

Rosa dos Ventos

A Rosa dos Ventos é um programa lançado em fevereiro de 2024 com o propósito de formar e capacitar mulheres para ocupar espaços de liderança. Rosa dos Ventos promove ações culturais e comunitárias, com o objetivo de fortalecer as comunidades através da presença de lideranças femininas.

Zepelim Pocket

É uma versão compacta do projeto principal, criada para levar a essência do Zepelim a novos públicos e contextos. Com uma curadoria cuidadosa de produtos artesanais capixabas, o Pocket marca presença em eventos que compartilham os mesmos valores de diversidade, empoderamento e excelência.

Economia Criativa no Espírito Santo

A economia criativa no Espírito Santo tem apresentado crescimento e relevância no cenário estadual. O estado se destaca com o aumento do número de pessoas ocupadas e a queda da informalidade no setor criativo.

Mesmo com o avanço da ocupação na Economia Criativa capixaba, os dados revelam que a informalidade ainda representa um dos principais desafios do setor no Espírito Santo. (Imagem/  Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN))

No 1º trimestre de 2024, a Economia Criativa do Espírito Santo registrou crescimento de 7,9% no número de pessoas ocupadas em relação ao 1º trimestre de 2023. No mesmo período, a Economia Criativa capixaba também obteve queda na taxa de informalidade, que, no 1º trimestre de 2024, foi de 32,1%.

Em conclusão, a economia criativa é um setor em constante crescimento e evolução, com uma relevância crescente no cenário global e nacional. Sua natureza dinâmica, que mistura valor econômico e criativo tem como objetivo gerar talento e inovação. Justamente pela inovação e flexibilidade de trabalho, as mulheres se destacam nesse modelo de economia.

Assista a reportagem completa!