Influenciadoras Digitais Impulsionam o Empreendedorismo Feminino

Segundo uma pesquisa realizada pela plataforma de marketing de influência Wake Creators, há mais de 14 milhões de criadores de conteúdo no país, dos quais 87% são mulheres. (Foto: Freepik)

Ana Clara da Cruz

Ao longo dos séculos, novas profissões surgiram de acordo com mudanças da sociedade. Com a ascenção da internet não foi diferente. A partir dela, temos cientistas da computação, engenheiros de software e também as influenciadoras digitais. As chamadas “influencers” são mulheres que se destacam nas redes e possuem a capacidade de mobilizar um grande número de seguidores, pautando opiniões e comportamentos. Por ser uma profissão autônoma que lida com a imagem pessoal e gera fonte de renda, é um novo formato de empreendedorismo.

A publicitária e professora universitária Carine Cardoso, 50, explica que empreender é ter visão das oportunidades do mercado e transformá-las em fonte de renda. A professora acredita que a nova profissão da internet é também uma forma de empreender já que utiliza a marca pessoal para gerar valor econômico. Nesse cenário, o conteúdo deixa de ser apenas expressão e se torna produto, exigindo planejamento, consistência e posicionamento.

Um dos nomes que representam esse novo formato é o da influenciadora de moda e beleza Anna Bermudes, 25, presente na internet desde 2018 e que, em 2023, decidiu recomeçar o perfil no Instagram do zero. Engenheira química de formação, Anna conta que decidiu focar integralmente no empreendedorismo após o encerramento do seu contrato CLT. Hoje, com quase 10 mil seguidores, ela explica que a renda vai além das redes sociais, vindo tanto de comissões com marcas afiliadas quanto da agência de marketing: “Marketê”.

Itapuã, Calebito, Mascavo e Go Case são algumas das grandes marcas que Anna já trabalhou (Foto: Ana Clara da Cruz/LACOS)

A influenciadora fitness Júlia Stofel, 23, que soma 103 mil seguidores no Instagram, afirma que começou a produzir conteúdo ainda nova, com dicas de beleza. Natural de Minas Gerais, Júlia identificou, ainda no início da trajetória, o potencial das redes sociais como caminho para influenciar, mesmo morando em uma cidade pequena. A partir disso, estruturou a presença digital como um negócio próprio e, hoje, a renda está exclusivamente ligada à monetização da própria imagem por meio de contratos com marcas que divulga na internet.

Atualmente, Júlia trabalha com grandes marcas como Nike, Blessy, Go Case e Guday (Foto: Arquivo Pessoal)

Mercado Digital

De acordo com um levantamento da plataforma Influency.me, o Brasil alcançou 2,1 milhões de influenciadores digitais em 2025 com a entrada de cerca de 100 mil novos criadores de conteúdo apenas no último ano. Esses dados confirmam a expansão do mercado digital, impulsionado pela busca por liberdade financeira e novas formas de atuação profissional.  

A economista Ana Maria Zen de Freitas, 58, conta que o empreendedorismo digital pode representar autonomia econômica ao permitir que as mulheres tenham maior flexibilidade no trabalho. Contudo, a subordinação do mercado ainda acontece porque, segundo Ana, as influenciadoras dependem das plataformas e da necessidade constante de firmar parcerias com marcas para garantir faturamento, levando a uma instabilidade. Ainda assim, Ana diz que conseguir se posicionar nesse ambiente já é visto como um diferencial competitivo relevante.

Para assegurar renda mensal no meio digital é necessário se diferenciar da concorrência. Carine garante que o branding pessoal pode ser entendido como um ativo econômico nesse contexto, pois a marca pessoal está diretamente ligada à reputação e a autenticidade. Assim, essas estratégias são mensuradas por indicadores como número de seguidores e engajamento, dados que atraem clientes. “Requer planejamento, execução e alinhamento com o mercado e com aquilo que a pessoa tem de mais relevante para oferecer”, afirma.