Ser mãe: a força que sustenta gerações

Mulheres falam da superação dos desafios e as vitórias da maternidade

(Foto: Freepik/Magnific)

Geovana Freitas

O Dia das Mães vai além das homenagens, flores e mensagens emocionantes. A data também convida à reflexão sobre o que significa ser mãe na sociedade atual, especialmente quando a responsabilidade pela criação dos filhos recai quase totalmente sobre a mulher.

Ser mãe, hoje, envolve múltiplas funções. É educar, proteger, trabalhar, cuidar da casa e, frequentemente, fazer tudo isso sem uma rede de apoio suficiente. A maternidade contemporânea revela uma realidade marcada por amor e dedicação, mas também por sobrecarga, renúncias e cobranças sociais constantes.

As histórias dessas mulheres, mostram que, apesar das diferenças de idade e trajetória, muitas experiências da maternidade se cruzam.

Preconceitos

Timóteo 2,15: Salvar-se-á, porém, dando à luz filhos, se permanecer com modéstia na fé, no amor…. (Yasmin Gonçalves dos Santos/Arquivo Pessoal)

Yasmin Gonçalves, 21, a dona de casa, se tornou mãe ainda muito jovem. A chegada da primeira filha trouxe não apenas responsabilidades precoces, mas também julgamentos sociais intensos.

“Sou mãe de duas meninas: a Isabelly, que tive quando engravidei aos 12 anos, e a Ivy, que nasceu quando eu tinha 20 anos. Na gravidez da Isabelly, por ser muito nova, enfrentei muito preconceito. Muitas pessoas julgam sem conhecer minha história ou tudo o que eu havia vivido até ali. Foi um período difícil, marcado por olhares, comentários e opiniões de quem não sabia da minha realidade”.

“Com o tempo, aprendi a lidar melhor com essas situações. Entendi que nem todos conhecem nossa trajetória e, por isso, hoje procuro levar as críticas de forma mais leve. Cada pessoa carrega suas próprias batalhas, e somente quem vive sabe o que realmente enfrentou para chegar até aqui.”

Com o tempo, ela aprendeu a lidar com opiniões externas e passou a enxergar a própria história com mais compreensão e força. Hoje, mãe de duas meninas, relata que o maior desafio diário é a ausência de uma rede de apoio, fator que dificulta a retomada dos estudos, o ingresso no mercado de trabalho e até momentos básicos de autocuidado.

A maternidade, embora cheia de desafios emocionais, tornou-se também uma fonte de motivação e superação pessoal. Segundo a jovem mãe, foram as filhas que deram sentido à sua caminhada e a ajudaram a enfrentar fases difíceis da vida.

“Quando acordo pela manhã e olho para o lado e vejo aquele ser com um sorriso banguela, como se estivesse me agradecendo por eu ser sua mãe, tudo melhora. As forças aparecem, as dificuldades parecem desaparecer. Hoje posso dizer que minhas filhas me salvaram e são a razão de eu viver e continuar superando tudo.”

Rede de Apoio

(Viviane Comege da Rocha/Arquivo Pessoal)

Viviane Comege, 42, construiu sua trajetória conciliando trabalho em tempo integral e criação dos filhos. Assistente administrativa em um hospital privado, ela considera que a falta de tempo é uma das maiores dificuldades enfrentadas pelas mães. Após longas jornadas de trabalho, ainda precisa administrar a casa e acompanhar o desenvolvimento dos filhos, buscando não perder momentos importantes da vida familiar.

Eu amo ser mãe, sem meus filhos eu seria uma pessoa sozinha hoje. E quando vejo eles realizando sonhos me vejo neles e tudo o que eu poderia ter alcançado se tivesse tido apoio e base familiar.

Para ela, a rede de apoio é essencial para preservar a saúde mental materna. Pequenos gestos de cuidado consigo mesma, muitas vezes simples para outras pessoas, tornam-se luxos quando não há com quem dividir responsabilidades. Ela também chama atenção para um ponto recorrente na sociedade: a cobrança constante direcionada às mães. Enquanto mulheres são questionadas sobre quem cuida dos filhos quando saem ou trabalham, homens raramente recebem o mesmo tipo de julgamento.

Participação paterna

Na visão das entrevistadas, a maternidade ainda é atravessada por julgamentos sociais constantes direcionados às mulheres. Elas relatam que, a mãe continua sendo cobrada sobre os filhos quando decide sair ou dedicar tempo a si mesma — questionamento que raramente é feito aos pais em situações semelhantes. Para elas, a sociedade ainda associa o cuidado com os filhos quase exclusivamente à figura materna, reforçando uma cobrança desigual.

As participantes também apontam que mães que seguem a vida sozinhas enfrentam julgamentos e estigmas, sendo consideradas culpadas pela separação. Diferente disso as entrevistadas consideram que, o rompimento está ligado à falta de compromisso e responsabilidade paterna, e não a uma falha feminina.

“A paternidade, para mim, é ter com quem contar na criação dos filhos, alguém para dividir as tarefas, as dificuldades e a responsabilidade de educar. Mas nem sempre ter um pai dentro de casa significa que ele esteja realmente cumprindo seu papel. Fui criada com pai presente fisicamente, mas ausente emocionalmente. Para ele, a paternidade era fazer o filho ter medo, usando a agressão como forma de educação. Por isso, não acredito que apenas ter um pai em casa seja sinônimo de verdadeira paternidade”, relata Viviane.

Amor maternal

No fim, a maternidade revela uma força silenciosa que sustenta famílias e atravessa gerações. A força materna não está apenas nos grandes sacrifícios, mas nas pequenas resistências diárias: levantar mesmo cansada, acolher mesmo em meio às próprias dores e continuar acreditando em dias melhores para os filhos.

Neste Dia das Mães, mais do que celebrar, é necessário reconhecer. Reconhecer que ser mãe é exercer, todos os dias, um trabalho invisível, mas essencial para a sociedade. É lembrar que por trás de cada mãe existe uma mulher que também precisa de apoio, respeito e cuidado.

A verdadeira força materna não nasce da obrigação, nasce do amor, da coragem e da capacidade infinita de recomeçar.