Jornalistas esportivos revelam bastidores do cenário capixaba em encontro com alunos da FAESA
Os jornalistas Ana Clara Lanius, Victor Fontes e Daniel Marçal revelam histórias e caminhadas profissionais na cobertura esportiva no Espírito Santo

Guilherme Trindade e Maria Fernanda Savignon Bernabé
Daniel Marçal, do Globo Esporte, Victor Fontes, de A Tribuna, e Ana Clara Lanius, da TVE, três grandes profissionais do mercado capixaba, relatam as experiências na cobertura de esportes. O encontro aconteceu na roda de conversa sobre Jornalismo Esportivo, na FAESA. Os três destacaram que a paixão é o motor principal da profissão. Os alunos do curso de Jornalismo tiveram a oportunidade de conversar e aprender com os profissionais.
Ana Clara Lanius

“Eu faço o que amo e sempre quis fazer, apesar de não ser fácil. Lidar com a paixão do torcedor é vibrante”, disse Ana Clara Lanius, narradora e apresentadora da TVE. Aos 25 anos, a voz de Ana, com tão pouco tempo de profissão, já entrou para a história como a primeira mulher a narrar uma partida de futebol na televisão aberta capixaba.
“Tudo aconteceu muito rápido. Em 2023, eu era estagiária da TVE e fui escalada como repórter de campo do jogo entre Porto Vitória e Serra, pela semifinal da Copa ES, no Estádio Kleber Andrade. Só que o jogo começou e eu só ouvia o silêncio do narrador. Aos 20 minutos do primeiro tempo, o chefe da equipe e presidente da TVE, Igor Pontini, me disse que houve um problema na produção e a transmissão não tinha narrador. Foi aí que eu abracei a oportunidade, narrei aquele jogo e sou narradora desde então”, relata Ana.
Victor Fontes

O repórter multimídia de A Tribuna, Victor Fontes, também tem a voz marcada pela narração. Victor lembra que, na infância, ele narrava partidas de futebol para os amigos, enquanto eles jogavam bola. O menino acompanhava os jogos no terraço de casa e gritava os acontecimentos. Hoje, ele faz de tudo: apresenta o programa “Apita Aí”, produz vídeos para o Instagram e, principalmente, escreve as matérias de esporte do jornal impresso.
Victor destaca o desafio de trabalhar em um jornal impresso, no qual a edição geralmente é fechada tarde da noite, com cinco páginas de esportes para preencher. Assim como Ana Clara, ele também rompe barreiras no âmbito esportivo. “Eu sou gay e, junto com uma mulher, decido todo o caderno de esportes da Tribuna. Essa quebra de padrões revela uma mudança importante no perfil do jornalismo esportivo ”, afirma.
Daniel Marçal

Já Daniel Marçal começou a carreira de jornalista esportivo após, segundo ele, uma proposta irrecusável: ser repórter do Globo Esporte. A TV Gazeta não passava esportes capixabas na grade há alguns anos e o Globo Esporte voltou, em 2026, para “dar valor ao que é nosso”, como diz Daniel.
O repórter, formado na FAESA em 2017, passou anos no jornalismo policial, mas o sonho sempre foi o esportivo. Ele conta que, mesmo acostumado ao jornalismo, foi em uma cobertura de um jogo da Copa do Brasil que a ficha caiu.
“Já falei na TV várias vezes, mas falar do esporte que eu amo é diferente. Lembro quando cobri uma partida para o SporTV pela primeira vez. Estar com aquele microfone na mão, o uniforme azul, foi uma experiência incrível. Eu olho para trás e percebo que esses 10 anos de trajetória valeram a pena”, relembra.
O encontro reforçou a importância de aproximar a academia do mercado de trabalho, proporcionando aos estudantes uma visão mais realista, humana e diversa do jornalismo contemporâneo. Os três revelaram que a profissão do jornalista esportivo está mais viva do que nunca no cenário capixaba, sobrevivendo de muito trabalho, suor e, principalmente, paixão.
Dia do Jornalista
A roda de conversa sobre Jornalismo Esportivo fez parte da comemoração do Dia do Jornalista. O debate integrou o evento “Mediações do Jornalismo: práticas, desafios e influências”, realizado pela Unidade de Comunicação Social e Design Gráfico da FAESA, no dia 9 de abril. O objetivo foi ampliar as perspectivas profissionais que a graduação proporciona e reunir especialistas consolidados do mercado capixaba para discutir com estudantes sobre a realidade da profissão.