OLHARES – Vazios e memórias do Parque Moscoso

Guilherme Trindade, Julia Sousa e Maria Eduarda Ávila

O Parque Moscoso, localizado no Centro de Vitória, é o parque municipal mais antigo da capital. Foi inaugurado em 1912, durante o governo de Jerônimo Monteiro e se estabelece como sendo um dos grandes marcos históricos e culturais da cidade.

Passando por diversas reformas, o local sempre foi um encontro de pessoas, culturas, momentos e até animais. É o que consta em um dos painéis turísticos do local: “Sabia que o Parque Moscoso já teve até leão?”. Hoje, o que mais tem no parque são aves. No voo breve de suas asas, o tempo passa e leva junto a vida no Parque Moscoso, antes tão cheio de movimento, agora predomina o vazio.

“Antes tinha muito mais movimento, atualmente é mais esvaziado”, é o que conta Paulo, de 58 anos. Com as barbas longas e a voz mansa, ele refresca as pessoas de picolé em picolé no calor do verão capixaba. Trabalhando desde os 13 anos de idade, está vendendo os refrescos no parque desde que foi afastado no serviço por uma lesão na lombar. Depois disso, tenta se aposentar pelo INSS. “Vai dar certo, se Deus quiser”, ora.

Entre um gesto e outro, a auxiliar de serviços gerais Lurdes, de 55 anos, varre mais do que folhas, varre memórias. Trabalhando no parque há 4 anos, ela divide o tempo de serviço com os cuidados dos 6 filhos. Com traços tímidos, ela está sempre junta de Fernanda, que sempre deixa o trabalho de varrer o Parque Moscoso mais leve. “Minha parceira da correria”.

Fernanda, 49 anos, também é auxiliar de serviços gerais no Parque, tem sempre o sorriso na ponta da vassoura. Ela diz que sempre vê as mesmas pessoas, as mesmas caminhadas, mesmo quando volta de férias. “Solteira, graças a Deus” relata ela, sorrindo. Sorriso é quase seu sobrenome.

Já Penha Mara, 56 anos, não é apenas frequentadora do local, mas mora ‘logo ali’, diz ela apontando para um prédio em frente ao Parque. “O Parque Moscoso é meu quintal”, conta. Professora de dança para pessoas de mais de 60 anos, ela costuma passear com seu cachorro, que não é muito fã de dançar – não está na idade.

“Olha lá a poderosa”, diz Fernanda ao ver Penha se aproximar, sem o cachorro que não dança. Ela pergunta pelo animal, diz que sente falta. Fernanda chama as duas companheiras para tirar foto e oferece o batom. “Sorriam para a foto, poderosas”, fala.

Assim, o Núcleo de Jornalismo do LACOS lança mais um conteúdo da série “OLHARES”. Dessa vez, sobre o Parque Moscoso. A série busca mostrar o olhar singelo e profundo de alunos e alunas dos cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda da FAESA Centro Universitário. Confira abaixo o trabalho realizado pelos alunos do 3º período do curso de Jornalismo Guilherme Trindade, Julia Sousa e Maria Eduarda Ávila.