De volta a lua: após cinco décadas, NASA lança nova navegador tripulada.

Objetivo é preparar uma presença permanente no nosso satélite.

Quatro astronautas participam da missão Artemis 2 (fonte: NASA/ Kim Shiflett)

Maria Fernanda Savignon Bernabé.

Vivemos uma nova era da exploração espacial. Na quarta feira (1), o lançamento da navegação Órion, do projeto Ártemis, põe fim à um hiato que durava desde 1972.

Diferente do projeto Apollo, que buscavam conquista momentânea, o programa atual nasce com o objetivo de estabelecer uma presença humana permanente no satélite natural.

Imagem da Lua divulgada pela NASA na sexta-feira (3) (Foto: NASA).

Objetivo da missão:

Lançada pelo foguete SLS (Space Launch System), a nave Órion leva quatro astronautas em uma jornada circundam a Lua por aproximadamente 10 dias, sem a realização de pouso.

A missão Ártemis 2 tem como principal objetivo validar se a cápsula de Órion no interior da nave é capaz de manter seres humanos seguros no espaço profundo. Vai avaliar a resistência contra radiações cósmicas e o calor extremo da reentrada na atmosfera terrestre. O teste visa preparar o lançamento do ártemis 3 que finalmente levará a humanidade de volta à superfície lunar.

A missão também carrega um forte componente geopolítico, em meio á crescente competição com o programa espacial chinês. O governo dos Estados Unidos utiliza a Ártemis 2 para reafirmar seu domínio técnico e sua influência global. O retorno ao solo lunar consolidou-se como um símbolo de prestígio, servindo tanto de vitrine para a supremacia norte-americana quanto de base de treinamento para o salto final em direção a Marte.

Porque voltar após 5 décadas?

O retorno à Lua após mais de cinco décadas não é apenas uma repetição da missão Apollo, mas uma revolução fundamental. Inaugura uma era de sustentabilidade espacial. Enquanto as missões de 1972 focavam na exploração rápida sob o contexto da guerra fria, a Ártemis 2 utiliza cinquenta anos de avanços em computação e ciência de materiais para planejar uma presença humana contínua.

Um dos grandes diferenciais desta fase é o foco do Polo Sul Lunar, região que guarda o “ouro” do século XXI, água na Lua. Os dados coletados pela tripulação nesta jornada poderão ajudar a refinar os planos para a futura mineração desse gelo. Por meio da eletrólise, a água pode ser quebrada em hidrogênio para combustível de foguetes e oxigênio para a respiração dos astronautas. Isso permitirá que a NASA utilize a lua como um laboratório vivo.

Além da questão hídrica, a missão valida novos sistemas de suporte á vida da cápsula Órion, projetados para serem mais autônomos que os seus antecessores. A tripulação testará a eficiência da proteção contra a radiação ionizante, a resistência do novo escudo térmico para a saúde humana no espaço profundo, que precisará suportar quase 3.000 Cº durante a reentrada atmosférica.

Ao transformar a Lua em um laboratório vivo, a NASA garante que os astronautas possam não apenas sobreviver em ambientes hostis, mas operar com eficiência industrial.

O interesse do Brasil nesta missão.

O Brasil é o único país da América Latina a integrar o acordo de Ártemis, o que abre portas exclusivas para a indústria nacional. O interesse brasileiro é prático: empresas em polos tecnológicos, como o de Santa Catarina, já trabalham no desenvolvimento de componentes e softwares que podem ser integrados à cadeia de suprimentos da NASA.

O setor do agronegócio quer assumir um papel vital na sobrevivência humana do espaço.

Por meio da rede Space Farming Brazil, liderada pela Embrapa, pesquisadores estudam o cultivo de espécies como batata-doce e grão-de-bico em condições extremas. Isso reduzirá os altos custos de transporte de alimentos para a Lua.

Para o Brasil, participar desta missão significa saltar para à elite global da tecnologia aeroespacial e da biotecnologia. Vai permitir que engenheiros e agrônomos brasileiros ajudem a projetar desde a infraestrutura técnica até o sustento necessário para a vida permanente fora da Terra.