A liderança feminina nos dias atuais
Mulheres ocupam 36,7% dos cargos de liderança no Brasil

Maria Fernanda Savignon Bernabé
Na atualidade, quando falamos da mulher, não falamos mais apenas de sonhos, mas de espaços conquistados. A presença feminina em cargos de liderança política, na religião e nas áreas de trabalho deixou de ser uma promessa para se tornar uma realidade. Nos últimos 10 anos, a participação delas passou de 15,2 para 36,7%, segundo o relatório Mulheres nos Negócios.
Essa mudança reflete uma luta histórica por igualdade e reconhecimento em diversos setores da sociedade.
Gerações diferentes, opiniões semelhantes
Mesmo separadas por gerações e contextos históricos distintos, duas mulheres entrevistadas para esta reportagem quando o assunto é a condição feminina, possuem experiências e percepções surpreendentemente semelhantes.
Para elas, embora os anos tenham passado e algumas conquistas foram alcançadas, a luta das mulheres por reconhecimento, respeito e direitos ainda segue presente, evidenciando que determinadas questões continuam atuais mesmo diante das transformações da sociedade.

Maria Eduarda, 18, estudante de Odontologia, acredita que o maior obstáculo para uma mulher alcançar e se manter em um cargo de liderança hoje em dia é a sociedade machista. Para a jovem, essa cultura foi moldada por anos de uma história que oprime as mulheres e as coloca em uma posição de inferioridade.
“É fundamental que a sociedade reconheça o papel feminino de forma organizada, permitindo um olhar mais atento sobre as mazelas sociais”, defende a estudante.
“A mulher possui um olhar muito mais profundo sobre as necessidades de outras mulheres. Temos a capacidade de entender as barreiras invisíveis que impedem uma mulher de falar”, acrescenta.

Maria Cecília Bernabé, 73 anos, aposentada, observa que a atuação feminina na religião é marcada pela sensibilidade e pela capacidade de organização comunitária. Para ela, a presença da mulher traz uma perspectiva de acolhimento essencial para a prática da fé.
“A mulher tem o poder de conquistar as pessoas, de ir além do que estão agora. Seu desempenho não fica devendo ao dos homens, apesar de existir ainda muito preconceito”, comenta a aposentada.
A opinião de Cecília reforça que o papel feminino hoje ultrapassa os limites impostos no passado. Ela observa que a evolução das mulheres permitiu que elas ocupassem espaços de igualdade, mostrando que a competência feminina é capaz de enfrentar e superar os preconceitos que ainda persistem no ambiente social e profissional.
Um esforço contínuo
Mesmo com o passar das décadas e as mudanças da sociedade, o desafio de liderar ainda esbarra nas mesmas barreiras culturais. O desejo por respeito e espaço, no entanto, permanece. Isso mostra que a luta por uma sociedade mais justa é um esforço contínuo.
A liderança feminina não se resume a ocupar um cargo ou ter um título. Trata-se de ocupar espaços de poder e, acima de tudo, garantir que o talento feminino floresça em qualquer idade ou setor.