O que é ser mulher nos dias de hoje?

Entre conquistas e desafios, mulheres de diferentes gerações compartilham suas percepções sobre o que significa ser mulher hoje

A trajetória feminina é marcada por conquistas ao longo do tempo (Foto: Estefany Benachio)

Estefany Benachio

A pergunta “O que é ser mulher hoje?” pode provocar muitas respostas e diferentes significados. Dependendo da geração que responde, um olhar pode ser totalmente diferente do outro. Afinal, o 8 de março, Dia Internacional da Mulher, não é apenas uma comemoração simples, mas o símbolo de anos de luta e coragem de figuras femininas que fazem a mulher ser o que é hoje.

A data foi reconhecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1975 como celebração das conquistas e do enfrentamento das desigualdades de gênero. Sua origem está ligada aos movimentos feministas dos séculos XIX e XX. Entre os eventos mais notáveis estão o incêndio em uma fábrica têxtil em Nova York, que matou diversas trabalhadoras e o protesto das 90 mil operárias russas, conhecido como “Pão e Paz”.

Do século XX até os dias atuais, muitas coisas mudaram. Para entender essa percepção na prática, mulheres de diferentes idades foram convidadas a revelar sua visão sobre esse tema na atualidade. As respostas revelam transformações nas formas de pensar e os desafios que ainda permanecem. 

Novos olhares

Para muitas pessoas jovens do gênero feminino ser mulher pode estar ligada à liberdade ao mesmo tempo que desperta medo. A estudante de direito Ana Ipolito, 18, afirma que ser mulher é algo maravilhoso, mas acredita que muitas vezes a imagem construída sobre o feminino ainda carrega aspectos negativos. Ela acredita que o Dia da Mulher é importante, mas deveria ser lembrado todos os dias. 

Ana Luiza Correia Ipolito (Foto: Arquivo Pessoal)

A psicóloga Marcela Marcelino, 23, considera a pergunta complexa. Para ela, o feminino vai além de estereótipos e fatores biológicos. Segundo Marcela, trata-se de uma identidade construída a partir de fatores sociais, históricos e culturais que influenciam como cada mulher se reconhece. 

Marcela Dal Bem Marcelino (Foto: Arquivo Pessoal)

Mudanças e desafios

As gerações um pouco mais maduras viram de perto as transformações ao longo do anos. Muitas delas conseguem perceber como uma realidade com poucas oportunidades se transformou em cargos de emprego e estudos. Mesmo assim, ainda existem desafios que mostram que a igualdade está longe de ser totalmente alcançada.

A empresária Elisangela Soares, 46, compara sua realidade com a da mãe. Ela destaca que hoje existem mais oportunidades e demonstra grande admiração pela força das mulheres de gerações anteriores. Elisangela afirma que não se enxerga inferior aos homens e acredita que o fato das mulheres terem a mesma visão, incomoda a sociedade. Além disso, se mostra orgulhosa em ver pessoas do mesmo gênero ocupando cargos importantes. 

Elisangela Aparecida Soares de Souza (Foto: Arquivo Pessoal)

Dados divulgados pela plenária ministerial sobre emprego do G20 Brasil mostram que a participação feminina no mercado de trabalho cresceu de 34,8% em 1990 para 52,2% em 2023. Apesar do avanço, as mulheres ainda recebem, em média, 21,2% a menos do que os homens no setor privado, segundo o Relatório de Transparência Salarial e Critérios Remuneratórios. Os números mostram avanços importantes, mas também indicam que ainda há desigualdades a serem superadas.

Memórias

Para as mulheres de gerações mais antigas, a realidade era bastante diferente. A maioria cresceu em uma época em que a falta de oportunidades para trabalhar e estudar eram mais  limitadas. Em grande parte dos casos, seu papel era reduzido em ser mãe e esposa, como se não pudesse buscar algo além disso. 

Maria Bernabé, 73 anos, afirma que, além do preconceito, uma das maiores dificuldades enfrentadas continua até hoje, e que continua até hoje, é a sobrecarga doméstica. Segundo ela, muitas pessoas ainda acreditam que cozinhar e cuidar da casa são responsabilidades exclusivamente femininas. Ainda assim, Maria se orgulha das conquistas alcançadas ao longo do tempo e acredita que as mulheres possuem uma força capaz de transformar a sociedade.

Maria Cecília Novaes Bernabé (Foto: Arquivo Pessoal)

As diferentes vozes ouvidas mostram uma semelhança: todas reconhecem a força de ser mulher e se orgulham disso. Cada uma delas carrega seus próprios desafios, conquistas e experiências. No entanto, mesmo com realidades diferentes, todas reforçam a importância de lutar por igualdade e respeito. Assim, o 8 de março se torna mais do que uma data simbólica, mas um momento de reflexão sobre a trajetória e futuro das mulheres.