A Fotografia como Espaço de Autoestima e Representatividade
O projeto “Retratos que Contam Histórias” busca valorizar os jovens negros e suas vivências.

Renan Benha
A fotografia tem a capacidade de revelar aquilo que muitas vezes passa despercebido no cotidiano, nossos traços, nossa história e a forma como nos enxergamos. Para a juventude negra, esse olhar se torna ainda mais significativo, pois ajuda a resgatar referências e fortalecer a autoestima. Cada expressão e cada detalhe capturado transmite pertencimento e conexão com a própria identidade. O ensaio surge da intenção de dar visibilidade a essas narrativas, permitindo que cada participante se reconheça de maneira positiva, fortalecida e verdadeira.
O projeto “Retratos que Contam Histórias” busca valorizar os jovens negros e suas vivências. O objetivo do projeto, a ser realizado em 2026, é que cada fotografia revele não apenas um rosto, mas sentimentos, força e trajetórias de construção da sua própria autoestima. A imagem se torna voz, memória e afirmação, permitindo que cada jovem seja visto em sua potência, identidade e história. Assim, um ensaio não registra apenas imagens, mas transforma, fortalece e resgata, devolvendo a cada pessoa sua própria imagem de forma digna, verdadeira e cheia de representatividade.
Autoestima Como Processo de Reconhecimento
Jovens negros enfrentam diariamente experiências de racismo, ausência de referências positivas e falta de representatividade, tornando o processo de se reconhecer com orgulho ainda mais desafiador. Quando se veem em fotografias que valorizam seus traços e sua beleza de forma genuína, algo interno muda. Surge o reconhecimento de que importam, que são bonitos e que merecem ser vistos. Além do aspecto estético, a fotografia funciona como um espaço de cuidado, escuta e transformação pessoal, no qual cada jovem pode descobrir uma nova forma de se perceber
Representatividade Como Visibilidade Necessária
Representatividade se constrói quando jovens negros se reconhecem em imagens que fogem de estereótipos e mostram pluralidade, força e diversidade. Ter contato com essas representações transforma a forma como se veem e como desejam ocupar o mundo. Fotografar esses jovens cria espaços nos quais eles se tornam protagonistas de suas próprias histórias. Cada imagem representa um gesto simbólico e político, rompendo silêncios e fortalecendo aqueles que são fotografados. Reconhecer-se com dignidade reforça a crença no próprio valor e no lugar que cada um pode ocupar na sociedade
A Fotografia Como Transformação Social
Quando utilizada de maneira consciente, a fotografia transcende o clique e se torna ferramenta de mudança. Ela revela realidades, provoca diálogos e traz à tona questões sobre identidade, autoestima e pertencimento. No contexto capixaba, onde jovens negros ainda enfrentam desigualdades sociais, educacionais e econômicas, criar esse tipo de espaço visual é também um ato de resistência. Cada ensaio evidencia que essas histórias existem, importam e precisam ser valorizadas, oferecendo oportunidades de fortalecimento pessoal e coletivo
Juventude Negra em Retrato
Por fim, o objetivo do projeto é criar um repertório visual que desafia estereótipos e acaba sendo uma forma de combater o racismo. As imagens irão revelar a pluralidade, a individualidade e a beleza real, sem filtros que suavizam traços ou que apagam características negras. O resultado esperado é um conjunto de retratos que contam histórias verdadeiras, capazes de despertar representatividade, reflexão e orgulho de ser negro.