As representações midiáticas e a construção de identidades
Em um mundo onde aparência é tudo, exemplos de moradores de favela e mulheres sensuais

Laysa Freitas
As representações midiáticas influenciam profundamente a construção das identidades, especialmente em um mundo onde a imagem vale mais do que a experiência real. Na Sociedade do Espetáculo em que vivemos, como diria Guy Debord, tudo se transforma em aparência, performance e visibilidade.
No mundo das aparências, quem somos deixa de ser apenas resultado das nossas vivências e passa a ser moldado também pelo que vemos, consumimos e imitamos nas telas. Para piorar, na modernidade líquida, como teoriza Bauman, tudo muda rapidamente e quase nada é duradouro, o que torna as identidades mais instáveis, flexíveis e fáceis de serem moldadas conforme as tendências do momento.
Como exemplo, podemos citar como a mídia representa os moradores de favelas. O filme Cidade de Deus retrata jovens quase sempre associados à violência, ao crime e à marginalidade. Embora a obra denuncie problemas sociais reais, ela também reforça um imaginário que limita esses adolescentes a papéis de risco e sobrevivência, influenciando como o público enxerga esses jovens e como eles mesmos passam a se enxergar. Em contrapartida, um exemplo positivo aparece na novela Rebelde Brasil, que mostra adolescentes explorando amizades, criatividade, arte e conflitos afetivos. Apesar de apresentar uma realidade idealizada, ela amplia possibilidades de identidade ao mostrar jovens expressando sentimentos, talentos e descobrindo seus desejos.
A presença constante das redes sociais intensifica esse processo. As relações digitais fazem com que muitos se sintam pressionados a parecer perfeitos, felizes e bem-sucedidos, transformando a própria vida em espetáculo para ser assistido. O corpo sensualizado das mulheres, por exemplo, é repetidamente exibido como sinônimo de valor e aceitação, criando um modelo difícil de alcançar e afetando autoestima, comportamento e expectativas sociais. Ao mesmo tempo, surgem representações mais diversas e empoderadoras, que mostram mulheres fortes, independentes e fora dos padrões tradicionais, um avanço importante, ainda que desigual.
Com o uso da inteligência artificial, algoritmos selecionam o que vemos, o que consumimos e até o que “deveríamos” gostar, influenciando silenciosamente nossas referências e desejos. Filtros, avatares e edições criam versões idealizadas de nós mesmos, aproximando ainda mais a identidade da aparência e afastando-a da experiência real.
Assim, as identidades são construídas em um ambiente onde imagem, velocidade e tecnologia moldam nossas escolhas e percepções. A mídia pode abrir portas para novas formas de ser, mas também pode nos aprisionar em rótulos e expectativas difíceis de sustentar.
Este é o primeiro material da série sobre esteriótipos na socidade produzido pelos alunos de Publicidade e Propaganda na disciplina de Mídia e Sociedade da FAESA Centro Universitário em 2025/2.