Arquitetura Histórica e Identidade Capixaba
As construções históricas do Centro de Vitória mantêm viva a memória da capital e reforçam a relação entre patrimônio, cultura e identidade capixaba

Ana Laysa Marques
Com 474 anos de fundação, a cidade de Vitória se constitui um espaço privilegiado para a compreensão da história capixaba por meio de sua arquitetura. Com diversos patrimônios históricos como o Palácio Anchieta e a Catedral Metropolitana, o Centro de capital funciona como registros materias de diferentes períodos socias, políticos e culturais.
A arquiteta e urbanista Patrícia Stelzer, 49 anos, afirma que a arquitetura urbana do Centro de Vitória carrega as origens e identidade da cidade, sendo de extrema importância a preservação, se adequando as mudanças da atualidade. Patrícia relata que a modernização deve respeitar as formas originais dos edifícios e construções antigas, mantendo a conservação e proteção das edificações.
Patrícia declara ainda a necessidade de investismentos por parte do poder público para reformas e revitalização das construções em estado de abandono e precarização, para garantir a movimentação e povoamento de pessoas. A arquiteta explica que é necessário melhorarias nas condições de mobilidade urbana das ruas, pois o mapeamento da maioria delas priorizam os automóveis, fazendo as pessoas tenham receio de utilizar aquele espaço.
O centro histórico de Vitória é um dos mais antigos do Brasil, seu território abrange capelas, edifícios, igrejas, escolas, que se transformaram em monumentos históricos e patrimônios que contam a trajetoria da cidade. O professor de arte Winny Rocha, 34 anos, e morador do Centro, diz sobre a nessecidade da criação de um Projeto Social que qualifique e valorize, mas mantenha o caratér popular e a essência do Centro de Vitória, fazendo as pessoas se aproximarem e entenderem sobre a história e a importância.
Winny relata sobre o esvaziamento dos prédios das principais avenidas da cidade, mas que os centros culturais e espaços públicos são muito visitados e geram movimentação, assim garantindo a ocupação e evitando a decadência urbana. O professor afirma, que deveria existir uma ação por parte do poder público para revitalizar e cuidar dos monumentos arquitetônicos da cidade.
A historiadora Geovana Sutil, 42 anos, afirma que a preservação da arquitetura ajuda na conservação da memória do povo capixaba, e assim rememorar o passado é criar identidade local, e por conseguinte a criação de laços de consciência, sendo de extrema importância manter e preservar os patrimônios do estado para não serem esquecidos, se alinhando a modernização. Geovana declara que um dos principais desafios, é a falta de conhecimento de sua importância, faltando educação patrimonial da própia população.
Vitória é uma cidade cercada por construções antigas, apresentando os principais pontos históricos do estado do Espírito Santo, sendo umas das mais antigas do Brasil, e preserva um rico patrimônio arquitetural que inicia-se do início da Colonização Portuguesa. Além das belezas naturais, a cidade é um museu a céu aberto.
O sociólogo Antônio Barbosa, 40 anos, relata que a urbanização trouxe mudanças para a cidade, trazendo uma valorização imobiliária fazendo o custo de vida dos moradores serem mais alto, assim afastando as populações para áreas periféricas, havendo uma desigualdade social devido a modernização da atualidade. Dessa forma, o centro acaba perdendo sua alta movimentação, devido a necessidade de revitalização e reformulação de sua estrutura. Antônio afirma, que o centro da capital capixaba se torna mais “vivo” com exposições artesanais, comércio e movimentos culturais que fazem o espaço se movimentar devido a circulação de moradores que se aproximam desse espaço.
O sociólogo destaca sobre a necessidade de restauração e preservação dos patrimônios do Centro por parte de políticas públicas que invistam nisso, como a melhoria das ciclovias e a proteção de áreas verdes e lugares de lazer, criando assim uma boa estrutura para moradores e turistas.