Da consulta de vista ao tatame: projetos transformam vidas por diferentes caminhos no ES

Iniciativas apoiadas pelo Instituto Unimed Vitória levam esporte, educação, cultura e oportunidades a crianças, jovens e comunidades capixabas

(Foto: Divulgação/Montagem: Julia Galter)

Daniel Chiabai

Em uma quadra de esporte, uma criança aprende mais do que uma modalidade. Em uma sala de música, um adolescente descobre uma habilidade que desconhecia. Na escola, enxergar melhor pode significar conseguir acompanhar uma aula. E, em uma comunidade onde faltam oportunidades, ter um espaço para estudar, praticar esporte ou fazer arte pode representar uma nova perspectiva de futuro.

É a partir de transformações como essas que o Instituto Unimed Vitória desenvolve e apoia projetos sociais no Espírito Santo. Criado em 2012 pela Unimed Vitória, o Instituto é uma organização sem fins lucrativos que atua em áreas como saúde, educação, esporte, cultura, desenvolvimento comunitário e meio ambiente.

Na prática, os números ajudam a dimensionar o alcance dessas iniciativas. Mas são as histórias por trás delas que revelam o impacto provocado na vida dos capixabas.

Projeto De Olho no Futuro 2025 (Foto: Edson Chagas @edsonchagas)

Um dos exemplos é o Projeto De Olho no Futuro, do Doutor Ubirajara Moulin de Moraes. Criado em 2003 para identificar problemas de visão entre estudantes da rede pública de ensino, ao longo de sua trajetória, a iniciativa já atendeu cerca de 19 mil alunos e possibilitou a doação de aproximadamente 3,7 mil óculos.

Estudos realizados pela Revista da Associação Médica Brasileira indicam que 75% das crianças com baixa acuidade visual apresentam desempenho escolar abaixo da média. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 10% das crianças em idade escolar possuem deficiência visual, muitas vezes despercebida. O problema impacta diretamente no aprendizado.

A proposta parte de uma questão simples: uma criança que não enxerga bem pode ter dificuldades para acompanhar as atividades escolares, o que pode afetar seu desempenho e até contribuir para o abandono dos estudos. Ao oferecer consulta oftalmológica e óculos gratuitamente para quem precisa, o projeto busca remover uma barreira que muitas famílias não teriam condições financeiras de enfrentar.

(Foto: Divulgação/Instituto Unimed Vitória)

Outra frente de atuação é o Esporte do Bem, realizado desde 2020 em parceria com o Instituto Viva Vida. O projeto atende aproximadamente mil crianças e adolescentes de 7 a 14 anos, com atividades esportivas gratuitas.

Mais do que ensinar uma modalidade, a iniciativa utiliza o esporte como ferramenta de promoção da saúde física e mental, socialização e integração entre participantes, famílias e comunidade.

A quadra, nesse contexto, também se transforma em espaço de convivência, e o esporte cria rotinas, estimula vínculos e proporciona às crianças uma experiência coletiva que ultrapassa o momento da atividade física.

(Foto: Divulgação/ Instituto Crescer com Viver)

É uma lógica que também aparece em outros projetos apoiados pelo Instituto, como o Crescer com Viver, em Guarapari. A iniciativa beneficia cerca de 200 crianças e adolescentes com oficinas de capoeira, street dance, violão, iniciação musical e balé.

Desde 2009, a Associação Crescer com Viver atua com atendimento gratuito a crianças, adolescentes e famílias em situação de vulnerabilidade social. A organização da sociedade civil, sem fins lucrativos, trabalha para promover cidadania, autonomia e protagonismo por meio da educação, da cultura e do esporte.

Ao longo de sua trajetória, a instituição ampliou as oportunidades oferecidas à comunidade por meio de oficinas e ações socioeducativas. As atividades contemplam áreas como cultura, esporte, educação e qualificação profissional, com iniciativas de dança, balé, teatro, circo, violão, iniciação musical, capoeira e judô, entre outras.

É nesse contexto que se insere a parceria com o Instituto Unimed Vitória, que apoia ações voltadas à ampliação do acesso à cultura e ao desenvolvimento de crianças e adolescentes. Um dos exemplos é o Projeto Crescer com Arte Viver – Terceira Edição, que oferece formação e capacitação artística por meio de oficinas gratuitas de capoeira, balé, street dance, violão, iniciação musical e pintura.

Mais do que oferecer atividades, a iniciativa busca criar oportunidades, fortalecer vínculos e proporcionar experiências que contribuam para o desenvolvimento de crianças e adolescentes por meio da arte, da cultura e da convivência.

“As oficinas vão muito além do ensino de uma modalidade artística, elas oferecem um espaço seguro de convivência, expressão e descoberta de talentos“, contou Livia Muchilin, presidente da Associação.

Quando a cultura abre novas possibilidades

A cultura também ocupa um papel importante nessa rede de iniciativas.

A Turma do Dr. Unimed, por exemplo, soma 25 anos de atuação. O projeto promove atividades teatrais em hospitais, instituições filantrópicas e escolas públicas, levando apresentações culturais e momentos de descontração para diferentes públicos.

Depois de um período de atividades presenciais suspensas durante a pandemia, quando parte das ações passou para o ambiente virtual, o projeto retomou as visitas e apresentações presenciais.

(Foto: Divulgação/Turma do Dr. Unimed)

Na Grande Terra Vermelha, educação, arte e esporte ocupam o contraturno

Um dos projetos que traduz de forma mais concreta essa proposta é o Instituto Fome de Leitura, na Grande Terra Vermelha, em Vila Velha. Atualmente, cerca de 150 crianças e adolescentes estão matriculados nas atividades oferecidas gratuitamente no contraturno escolar. A iniciativa reúne oficinas de música, dança, teatro, esporte, reforço escolar e literatura.

O projeto nasceu em 2021 e, desde então, passou por uma transformação estrutural. A entidade ajudou a concluir a reforma de um espaço que estava em obras e passou a utilizá-lo para desenvolver as atividades com as crianças da comunidade.

Hoje, são oferecidas aulas de violão, ukulele, flauta, teclado, musicalização, teatro, dança, jiu-jítsu, reforço escolar e educação literária.

A proposta é ocupar o tempo das crianças com atividades que possam contribuir para seu desenvolvimento. Mas, segundo o próprio Instituto Fome de Leitura, o objetivo vai além de simplesmente preencher o contraturno: as atividades procuram trabalhar disciplina, convivência, responsabilidade, expressão e formação.

No reforço escolar, por exemplo, aproximadamente 60 crianças e adolescentes são atendidos por semana. Já a biblioteca disponibiliza livros infantojuvenis para os alunos e seus familiares, ampliando o acesso à leitura para dentro das casas.

No esporte, o jiu-jítsu trabalha valores como disciplina, respeito, autocontrole e persistência. Alguns alunos já participam de competições e conquistam medalhas

A mudança também é percebida pelas famílias. Relatos de responsáveis apontam avanços na comunicação, na coordenação motora, na disciplina e no desempenho escolar dos participantes.

Camila Neres, mãe de quatro crianças que participam do projeto Fome de Leitura, afirma que o projeto é a segunda casa deles. “Eles fazem todas as aulas e tem sido muito gratificante participar. Meus filhos melhoraram o comportamento e a desenvoltura em diversas áreas, fazem muitas coisas novas, está sendo uma benção”, contou.

“Eu frequento o projeto há quase cinco anos. Hoje, meus filhos participam das atividades: minha filha faz jiu-jítsu e meu filho faz aulas de teclado e violão. Eu agradeço muito a Deus porque era algo que meus filhos não tinham e hoje eles têm. Agradeço primeiramente a Deus e, depois, a esse projeto que nos acolheu”, destacou Fabiana, de 28 anos.

O projeto Fome de Leitura conta ainda com a parceria do Mais Amor, liderado pela voluntária Adriana Silvério. Segundo ela, o projeto começou como uma forma de levar alimento para a mesa de pessoas que precisavam, e hoje, se tornou muito mais.

É enorme, e o projeto consegue alcançar as crianças de verdade com essas atividades. É lindo de ver

“Faço parte do projeto como voluntária e meus netos também são beneficiados. Eles participam das aulas de jiu-jítsu, teclado, violão, ukulele, flauta, artes e hip-hop, além de receberem cesta básica, roupas e sapatos. Meus netos aprenderam a ler aqui, se desenvolveram e estão crescendo junto com o projeto”, contou Jussara.

(Foto: Instituto Fome de Leitura)

Agora, o projeto vive uma nova etapa. Em 2026, o Instituto Fome de Leitura adquiriu uma sede própria de aproximadamente 132,9 metros quadrados, também em Normília da Cunha. O espaço ainda precisa passar por reformas, mas a expectativa é ampliar a estrutura e, consequentemente, a capacidade de atendimento.

A parceria com o Instituto Unimed Vitória é apontada pelo Fome de Leitura como uma das responsáveis pela manutenção das oficinas e pelo pagamento dos profissionais envolvidos no projeto, por meio de recursos captados via Lei Federal de Incentivo à Cultura.

“O Instituto Unimed Vitória consolida a nossa responsabilidade com o futuro do Espírito Santo e cada conquista dessa trajetória tem a marca do empenho dos nossos cooperados e colaboradores. É a prova concreta de que o cuidado com a saúde e a qualidade de vida também se faz com promoção de educação, cultura e esporte”, destaca o diretor-presidente da Unimed Vitória e presidente do Conselho de Administração do Instituto Unimed Vitória, Fabiano Pimentel.

Foto: Divulgação Instituto Unimed Vitória

São aproximadamente mil crianças alcançadas pelo Esporte do Bem, 19 mil estudantes atendidos pelo De Olho no Futuro e centenas de crianças e adolescentes envolvidos em atividades de educação, música, dança, teatro e esporte.

Por trás desses números, estão mudanças que acontecem no cotidiano: a criança que passa a enxergar a lousa, o adolescente que encontra na música uma forma de expressão, o aluno que descobre no esporte um espaço de convivência e a família que consegue oferecer ao filho uma atividade que antes não cabia no orçamento.

Em diferentes formatos, os projetos mostram como o acesso à saúde, à educação, à cultura e ao esporte pode ampliar as possibilidades de crianças, adolescentes e comunidades. O apoio se transforma em consulta, óculos, aula, instrumento musical, treino, livro e acompanhamento — recursos que, na prática, ajudam a criar novos caminhos.

No fim, o impacto não está apenas na quantidade de pessoas alcançadas, mas no que cada uma consegue fazer a partir da oportunidade que recebeu.