Costura em forma de empreendedorismo 

No Brasil, cerca de 23 milhões de casas possuem máquina de costurar  

Dona Ivanete produzindo uma fantasia de festa junina

Thiago Nascimento

A costura está presente nos pequenos detalhes do cotidiano, desde mínimos reparos a grandes produções de roupa. Mais do que uma simples técnica, a prática reúne criatividade, inovação e geração de renda. 

Segundo uma pesquisa feita pela Federação Nacional de Dirigentes Lojistas em 2025, um a cada três lares brasileiros possui uma máquina de costura, ou seja, cerca de 23 milhões de casas.  

A pesquisa também reforça que a costura não é um “fenômeno jovem”, mas um hábito que atravessa gerações. No caso da dona Ivanete Caetano, 57, se trata de uma paixão que atravessou a adolescência, juventude e permanece até os dias atuais.

História e trajetória

Moradora do bairro Itaquari, em Cariacica, há mais de 35 anos, a jovem Ivanete iniciou os primeiros passos na confecção de roupas ainda na juventude. Aos dezenove anos trabalhava como atendente em uma loja, mas deixou a função para se dedicar à costura. 

Após realizar cursos e especializações nessa área, Ivanete passou a se dedicar de forma integral à nova profissão, acumulando mais de 30 anos na área.  

Hoje, ela é especialista em diversos tipos de fantasias e produções de roupas. Temáticas de carnaval e de festas juninas são sua especialidade, sendo muito procurada para a criação de vestimentas. 

Economia criativa e rendimento financeiro

Segundo Ivanete, o retorno financeiro do trabalho é extremamente positivo. “Certos figurinos não são fáceis de encontrar em lojas. Por isso, muitas pessoas vêm até mim para encomendar diversos tipos de roupa e pagam um preço justo pelo meu trabalho”. 

O economista Ricardo Paixão explica como acontece o efeito da economia criativa na geração de renda de famílias e empreendedores. “Quando o setor cresce, aumenta a circulação de renda nas comunidades e amplia as oportunidades de trabalho.”

Ricardo ainda ressalta que, além de fortalecer o empreendedorismo local, a geração de produtos e serviços com maior valor agregado, contribuem para uma remuneração mais elevada.

Da Bahia ao Espírito Santo

Dona Aliene Campos costurando uma peça de roupa (Foto: Arquivo Pessoal)

Aliene Campos de Oliveira, 63, é costureira e dona de um ateliê de roupas. Ela é natural da Bahia, e está no Espírito Santo há 17 anos. A costura é recente na vida dela, iniciou há 11 anos, e desde lá, coleciona experiências e muita dedicação. 

Atualmente, ela mantém um espaço localizado no Centro de Vitória. O local tem 8 anos de existência. Além disso, também foi dona de outro ateliê localizado no bairro Jardim da

Penha. Sua produção inclui, além de reformas simples, a criação de figurinos e fantasias.  Segundo o economista, Ricardo Paixão, a economia criativa é uma das opções para reduzir o desemprego. Principalmente, quando se trata de jovens, mulheres e pequenos empreendedores. É um setor que facilita a entrada de novos profissionais no mercado. 

Desafios da profissão e na mão-de-obra

Segundo Aliene, o mercado de trabalho em relação à procura de profissionais da costura está difícil, quase escasso. “Eu trabalho sozinha, não tenho quem contratar e muito menos quem saiba costurar. Já coloquei anúncio no jornal e não aparece ninguém.”

Atualmente, ela conta com a ajuda da nora, Lorrany Rezende de Araújo, 28, para auxiliar em consertos básicos de costura, além de cuidar dos atendimentos e dos agendamentos dos clientes.    Segundo Lorrany, é uma alegria enorme trabalhar junto com a sogra. “Tem gente que não se dá bem trabalhando com a sogra, mas eu me dou super bem. Auxílio no que for preciso, faço agendamentos, desmanches de algumas peças, compro utensílios para a costura.”