Jovens transformam criatividade em negócio no Brasil
Empreendedorismo juvenil cresce impulsionado pela economia criativa, mas desafios financeiros ainda marcam o início da trajetória

Camila Buzzette
Cada vez mais jovens brasileiros estão atuando em áreas ligadas à inovação, estética, moda, fotografia e negócios digitais. Motivados pela busca por autonomia e expressão criativa, transformam talentos e ideias em fonte de renda. Ao todo, 4,9 milhões de jovens entre 18 e 29 anos atuam como donos de negócio no Brasil, de acordo com estudo do Sebrae de 2025.

Apesar do avanço, iniciar um negócio ainda representa um grande desafio financeiro. Falta de capital, planejamento e conhecimento sobre gestão estão entre os principais obstáculos enfrentados pelos jovens empreendedores.
Criatividade como oportunidade de negócio
A fundadora da Jeny Make & Beauty e estudante de administração Jenyffer Thomas, 20, começou a empreender aos 15 anos com foco no mercado de beleza. No início, possuía capital apenas para adquirir uma unidade de cada produto, reinvestindo os lucros conforme a marca crescia.

Após cinco anos atuando no ambiente digital, Jenyffer expandiu o negócio para um espaço físico. Segundo ela, o apoio familiar foi fundamental durante o processo, principalmente nos momentos de dificuldade financeira e emocional.
O fotógrafo e fundador da marca Rocca, João Schuckert, 20, também iniciou cedo no empreendedorismo criativo. Ele destaca que, mesmo com planejamento, os períodos de instabilidade fazem parte da construção de uma marca inovadora e autoral.

Planejamento e educação financeira como aliados
Além da criatividade, especialistas apontam que o planejamento financeiro é essencial para a sustentabilidade dos negócios. O professor e bancário Schleiden Pinheiro, 52, afirma que muitos empreendedores ignoram fatores econômicos importantes.
Para apoiar jovens empreendedores, instituições como o Sebrae oferecem cursos gratuitos voltados à gestão financeira, marketing e planejamento estratégico. Programas de incentivo ajudam a transformar ideias criativas em negócios mais estruturados.
Schleiden também defende a inclusão da educação financeira nas escolas como forma de preparar os jovens para o mercado empreendedor. Para ele, criatividade e inovação precisam caminhar junto com conhecimento estratégico para garantir a permanência no setor.