Segue a dica – Beatriz Dona Peterle

Confira as indicações literárias da professora da FAESA Centro Universitário Beatriz Dona Peterle. Ela é formada na Ufes em Letras e tem mestrado em Linguística.

Professora Beatriz Dona Peterle (Foto: Marcelo Monfardini)

Marcelo Monfardini

Encantada pela literatura, a professora universitária Beatriz Dona Perterle, 34, compartilhou a importância da leitura e trouxe quatro recomendações.  Ela também atua no ensino de nível médio e fala sobre como essa fase é fundamental para o incentivo da leitura por prazer.

Nunca mais você vai ter o tempo que você tinha disponível como no ensino médio. Na faculdade, você entrou em outro ritmo. Está com muitas áreas para dar conta

A professora relata que a diferença entre os livros tradicionais e os contemporâneos está em sua permanência no debate popular, mesmo com a passagem do tempo.

Beatriz afirma que, se a escola não dá conta desse repertório, é possível que esse tipo de leitura não volte em outro momento da sua vida.

Por que os clássicos?

Beatriz também declara que a literatura atual pode chegar nos alunos por meio da vida social e das redes sociais. Por isso, a escola tem o dever de entregar a literatura clássica para a formação de um repertório cultural.

Meu papel como professora é te mostrar o que fora da escola você não vai acessar

Os Miseráveis – Victor Hugo

Escrito há 400 anos, o livro de 1500 páginas continua sendo vendido e estudado até hoje. Beatriz reflete em como os personagens são utilizados para metaforizar o cotidiano, como questões de pobreza, injustiça social e os direitos dos presidiários. A professora recomenda versões adaptadas de leitura, que facilitam em trazer a discussão para a atualidade.

Memórias Póstumas de Brás Cubas – Machado de Assis

Escrito por Machado de Assis e traduzido para outros idiomas, Beatriz reforça que nós, brasileiros, temos que conhecer a obra clássica que impactou na época do lançamento por tratar da morte como temática. Ela reforça em como cada leitura te dá uma nova interpretação dos fatos.

A Volta ao Mundo em 80 dias – Júlio Verne

Escrita no final do século XIX, a professora indica a história com o objetivo de refletir e dialogar sobre o tempo de quando ela foi lançada com os dias atuais. Hoje, com a existência de aviões e meios mais rápidos de se locomover, a noção de espaço diminuiu e o tempo aumentou.

Alice no País das Maravilhas – Lewis Carrol

Livro considerado “no sense”, termo em inglês que significa sem sentido, se destaca pela sua escrita criativa. A professora menciona o desafio de traduzir o livro, que contém poemas, como o “Jaguadarte”, feitos com palavras inventadas.  

Indicações e traduções

O livro clássico, além de atravessar a barreira do tempo, ultrapassa a barreira geográfica. Por isso, a escolha de autores pela educadora valoriza a diversidade em suas nacionalidades. Ela selecionou autores franceses (Victor Hugo e Júlio Verne), um brasileiro (Machado de Assis) e um inglês (Lewis Carroll).

Beatriz comenta sobre as diversas traduções para a mesma história. Ela relata a importância de uma boa tradução e admite ter o mesmo livro de editoras diferentes, porque a escolha de palavras pode interferir diretamente na aprovação da história.