Mães atípicas e o empreendedorismo-sobrevivência

Em meio à sobrecarga do cuidado, elas reinventam a própria carreira para garantir renda e acompanhar o desenvolvimento dos filhos 

Guilherme Trindade e Maria Eduarda Ávila

A flexibilidade do trabalho autônomo permite que mães atípicas acompanhem o desenvolvimento dos filhos sem abrir mão da geração de renda. (Foto: Governo do Estado/ Divulgação)

Na tentativa de equilibrar os cuidados maternos e a geração de renda, o empreendedorismo para muitas mães atípicas surge não como escolha, mas como estratégia de sobrevivência. A maternidade, que já muda a vida de uma mulher, pode ser ainda mais pesada para uma mãe de filhos com deficiência. Além das jornadas de cuidado, essas mães encontram um mercado de trabalho rígido e pouco preparado para acolher suas necessidades.

“Chegou um ponto em que eu não conseguia trabalhar fora. A minha filha precisava de mim e por isso eu comecei a empreender”, conta Mayara Souza, mãe solo de 35 anos, que pediu demissão no supermercado onde trabalhava para cuidar da filha. Luara, 5 anos, teve três babás diferentes, mas todas desistiram do papel. O que Mayara não imaginava era que a menina tinha Autismo nível 1 de suporte. 

Ela era muito agressiva. Eu não imaginava que ela era autista, porque ela fala, interage, mas tinham outras coisas que respondiam para o autismo. São questões sensoriais, agressividade e ausência de noção de perigo, mas com o uso da medicação e da terapia, a gente tem conseguido melhorar bastante

Com as contas aumentando e as dificuldades de encontrar um cuidador para Luara prosseguindo, Mayara decidiu usar um dom antigo para pagar as contas atrasadas: a confeitaria. Ela, que já vendia bolos de pote no antigo trabalho para fazer uma renda extra, começou a fazer bolos decorativos. Ela foi pegando gosto pelo serviço, se aprimorou com cursos e qualificações, e criou o próprio empreendimento. Em feiras criativas, Mayara vende brownies, tortas doces, bolos e diversas outras sobremesas.

A doceria fez sucesso, as dificuldades financeiras foram diminuindo e o tempo com a filha foi aumentando. Hoje, Mayara tenta equilibrar as demandas do próprio negócio com as rotinas de terapia de Luara. Apesar do pai da menina ajudar financeiramente, a maior parte das responsabilidades continua concentrada sobre a mãe. “Todas as demandas de médicos, compromissos escolares e terapias são minhas responsabilidades únicas. Não tenho rede de apoio, sou sozinha”, relata Mayara.

É no intervalo de todas as demandas da filha que Mayara empreende. Enquanto Luara está na terapia, de manhã, a mãe planeja as próximas receitas na sala de espera. Quando a tarde chega e a menina vai para a escola, ela aproveita para organizar a produção, assar bolos, brownies, fazer todas as sobremesas que são especialidade da casa. Além de tudo isso, tem que sobrar um tempo para arrumar a casa antes da aula acabar.

Apesar das dificuldades do presente, Mayara tomou uma decisão para o futuro: estudar e entrar para a faculdade de Psicologia. No ano passado, arrumou tempo para se dedicar aos estudos, fez o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) e foi suplente para o curso dos sonhos na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). O problema é que a faculdade tem aulas em período integral.

“E como que uma pessoa que tem filho atípico estuda das sete da manhã às cinco da tarde? Então eu abri mão da vaga, porque não cabia dentro da minha rotina”, relata Mayara. Hoje, ela faz pré-vestibular popular no Colégio Marista para “poder escolher mais”.

Mayara usou o empreendedorismo como modo de sobrevivência. O empreender para ela não veio de uma escolha, mas da pura necessidade, tanto dela quanto de sua filha. “Eu tive que voltar a empreender. Tem mês que você vende maravilhosamente bem, tem mês que as feiras não dão o retorno que a gente espera. E aí vai fazer o quê? As contas chegam, tem que comprar os remédios, têm as despesas, é complicado”, observa.

Escolha ou necessidade?

As dificuldades de Mayara são semelhantes a um estudo da pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP), Patrícia Carla Gonçalves Salvatori, em 2023, que diz que 69% das mães atípicas entrevistadas afirmaram que precisaram modificar a trajetória profissional após o diagnóstico dos filhos. Desse grupo, 59% abandonaram o emprego e 27% optaram por reduzir a carga horária ou migrar para o trabalho autônomo. 

A falta de tempo para acompanhar terapias, consultas e os cuidados contínuos dos filhos foi apontada por 68% das entrevistadas como o principal motivo para deixar ou adaptar a vida profissional. Em contrapartida, entre as mães que empreendem, 93% afirmam que a flexibilidade de horários foi determinante para permanecerem economicamente ativas. 

Os dados refletem os maiores desafios encontrados pelas mães atípicas no mercado de trabalho. A Gestora Estadual do Programa Plural do Sebrae/ES, Juliana Castro, analisa que os trabalhos formais não preveem a realidade do cuidado de forma adequada. Ela afirma que muitas empresas não estão preparadas para oferecer a flexibilidade que elas precisam para acompanhar terapias, consultas e atividades dos filhos.

“Dentro das empresas, manter produtividade e lidar com todas essas demandas é extremamente difícil e exaustante. E é aí que o empreendedorismo entra”, afirma. A gestora observa que muitas mães de pessoas com deficiência migram para a informalidade, fazendo bolos, doces, artesanato ou trabalhando com beleza, pois são negócios que permitem conciliar os cuidados com os filhos e a rotina da casa.

As redes sociais podem ser ferramentas incríveis no processo de empreender. Juliana diz que o Sebrae recebeu uma demanda de famílias atípicas e está estruturando um modelo de atendimento com capacitações voltadas para vendas online, marketing, Instagram, fotografia de produtos e organização financeira. “A previsão é que o Sebrae do Espírito Santo tenha mais ações voltadas para esse público no segundo semestre deste ano”.

Para além da falta de flexibilidade, a economista Thalya Mendes acrescenta os problemas financeiros nessa equação. As pessoas atípicas muitas vezes geram custos elevados com saúde, terapias, educação especializada e frequentemente a ausência de uma rede de apoio. Ela afirma que isso impacta diretamente a renda, a carreira e, consequentemente, a estabilidade financeira dessas mulheres. 

Leidiane Meloaz, 44 anos, tem uma loja de moda sustentável e é mãe de um casal  de adolescentes com autismo, de 14 e 16 anos, e confirma essas dificuldades financeiras. Ela conta que o trabalho de cuidado com os filhos complica seu empreendimento, pois ela não tem condições financeiras de pagar um cuidador, o que daria para ela mais tempo para produzir e empreender. 

Não tenho aquele tempo livre para mim, o que dificulta a empreender. A rotina de uma família atípica tem seus limites. O meu filho tem horários e rotinas que se forem quebrados ele fica descompensado. A partir do momento que a criança fica desorganizada, descompensada na mente, então acaba que a gente também fica todo desorganizado

Apesar das dificuldades financeiras e rotineiras, Leidiane têm muito orgulho do trabalho, que de forma sustentável a ajuda a cuidar do meio-ambiente. Ela constata que o empreendimento dá autonomia para ela e que isso é terapêutico. “Empreender pra mim salva vidas, empreender salva. Eu carrego isso comigo e por isso não desisto, mesmo com as dificuldades”, relata.

A economista Thalya vê as mães atípicas como um dos grupos mais vulneráveis economicamente, porque elas vivem a versão mais intensa da sobrecarga invisível historicamente jogada para as mulheres. Thalya sustenta que o cuidado é invisibilizado pela sociedade, apesar de sustentar a economia diariamente. “Enquanto uma parte da população está produzindo renda formalmente, existe outra garantindo alimentação, saúde, acompanhamento escolar e estabilidade doméstica. E esse trabalho continua sendo majoritariamente feminino”.

Ela ainda alerta sobre as perdas profissionais e financeiras dessas mulheres. Muitas mães atípicas deixam de construir aposentadoria, patrimônio, reserva financeira, até mesmo progressão de carreira durante anos, ou seja, o impacto não é apenas imediato, mas compromete toda a trajetória econômica dessa mulher. A economista acredita que o mercado é incapaz de reconhecer que o cuidado também é um trabalho.

Quantas carreiras interrompidas? Quantas lideranças femininas deixaram de existir, quantos negócios não foram criados, quanto capital intelectual foi absolvido silenciosamente pelo trabalho doméstico e de cuidado. Muitas mulheres deixam de empreender em escala maior, mudar de carreira ou buscar cargos melhores, porque qualquer instabilidade pode comprometer toda a estrutura da família. Então, no fundo, a sobrecarga do cuidado cria um tipo de aprisionamento econômico

A economista afirma que, na maioria dos casos, construir o próprio negócio entre as mães cuidadoras nasce muito mais da necessidade do que da oportunidade, embora ele seja frequentemente romantizado como liberdade. Thalya conclui que o empreendedorismo aparece quase como uma estratégia de sobrevivência econômica.

Entre desafios e adaptações

A psicóloga Alicia Borges explica que a maternidade, por si só, representa uma transformação significativa na vida das mulheres e que, quando se trata de mães atípicas, esse impacto tende a ser ainda mais significativo em razão das demandas e desafios adicionais envolvidos. A criança geralmente costuma ter uma rotina mais intensa, o que acaba gerando certa dificuldade na divisão e realização das demandas diárias. 

Essa realidade é confirmada por Luma Sesma, 33 anos, que concilia a jornada de trabalho com os cuidados da filha Isis, 8 anos. Luma atua como enfermeira intensivista neonatal no período noturno, em uma escala de plantão 12×60, além de realizar plantões complementares nos fins de semana. A enfermeira é proprietária de um estúdio de beleza em Vila Velha, onde trabalha com horários agendados como cabeleireira e manicure. 

Costumo dizer que a gravidez é igual a um Kinder Ovo. Você sabe que vai receber um presente, mas não sabe qual. E, se ele vem diferente do esperado, frustra, e a frustração limita

A empreendedora relata que a maternidade atípica exigiu uma profunda reorganização de sua rotina e uma dedicação constante aos cuidados do filho. Entre terapias, trabalho e responsabilidades domésticas, ela destaca que os desafios são permanentes e acompanham o crescimento da criança. A enfermeira também destaca que o diagnóstico da filha trouxe a necessidade de aprender mais sobre esse universo que até então era desconhecido. 

O diagnóstico vem como uma facada, ele não pede licença e não traz as respostas consigo. Tive que aprender tudo, ler muito, estudar para falar de igual para igual com terapeutas e neurologistas

Diante dessa realidade, o acompanhamento psicológico pode ser um importante aliado para mães atípicas que enfrentam uma rotina marcada por desafios e responsabilidades constantes. A psicóloga Alicia Borges, destaca que o acompanhamento psicológico pode ajudar essas mulheres a compreenderem que elas não precisam assumir toda a responsabilidade sozinhas. A profissional explica que  muitas mães carregam um sentimento constante de responsabilidade, o que acaba gerando desgaste emocional e físico.

O acompanhamento psicológico para mães atípicas se torna mais que fundamental, para lidar com a sobrecarga, o estresse e a exaustão física e mental. Nesse sentido, o processo terapêutico contribui para que elas aprendam a compartilhar tarefas com o parceiro e com a rede de apoio, tornando a rotina mais equilibrada e menos sobrecarregada para elas.  Para assim, o acompanhamento psicológico contribui para que elas reconheçam seus limites e incluam momentos de autocuidado na rotina.

Solidão materna

Além das dificuldades financeiras e profissionais, muitas mães atípicas enfrentam outro desafio: a ausência de uma rede de apoio. A psicóloga Alicia Borges explica que dividir as responsabilidades do cuidado é fundamental para preservar a saúde mental dessas mulheres, permitindo momentos de descanso, lazer e autocuidado. Na prática, porém, essa divisão raramente acontece e a vida profissional se torna mais desafiadora.

O Instituto Baresi mostra que 78% dos homens abandonam os filhos antes dos cinco anos de idade após um diagnóstico de deficiência. Já dados do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre/FGV), de 2022, identificam que 15% dos lares brasileiros são chefiados por mães solo, recaindo sobre elas a responsabilidade pelos cuidados e pelo sustento financeiro da família.

Essa é a realidade de Nathália Victorino, de 40 anos. Mãe de Ezequiel, de 16, diagnosticado com deficiência intelectual, autismo e anomalia anorretal, ela viu a sobrecarga aumentar após o abandono do ex-companheiro.  Ela teve que colocar o ex-companheiro na justiça por abandono afetivo e agora ele paga uma pensão de R$485 para Ezequiel e a outra filha dos dois. Ela diz que o valor está longe de cobrir as despesas da família. “Só o meu aluguel é R$2.500, então eu tive que ir para o empreendedorismo”, relata. 

Depois do abandono do pai, Ezequiel e Nathália começaram a trabalhar juntos no próprio negócio, vendendo doces artesanais, como brigadeiros, brownies, trufas e bolos. Ela prepara os doces com amor de mãe e Ezequiel acompanha Nathália na hora de vender as sobremesas. Enquanto a mãe conversa com os possíveis clientes, o filho mostra e oferece os produtos.

Além de empreendedora, Nathália é criadora de conteúdo e vende apostilas sobre brigadeiros gourmet. (Foto: Arquivo Pessoal)

Além de ajudar financeiramente, tanto nas contas de casa quanto nas contas educacionais do menino, o empreendimento auxiliou em uma dor antiga de Ezequiel: a saudade do pai. Nathália diz que o filho era muito apegado ao pai e que quando houve o abandono, ele começou a ter depressão e ansiedade. “Antes, o hiperfoco dele era o pai, mas agora o hiperfoco dele é trabalhar”, explica.

Agora ele fala de trabalho o dia inteiro. Tem hora que eu dou risada e falo: pelo amor de Deus, menino, para. Então assim, hoje ele diz que quer ser médico, amanhã ele quer ser outra coisa. Todos os dias ele quer ter uma profissão nova, mas ele sempre volta a falar que o sonho principal dele é ser empresário. Então eu acredito que ele vai conquistar isso, né?

A confeiteira acredita que o empreendedorismo trouxe para ele toda a questão do trabalho e que a ajuda nas vendas desenvolveu o lado social dele. Ela também acredita que se desenvolveu em todo o percurso. “Me fez ver como eu tenho potencial, porque a crise nos faz ver que a gente tem habilidades. Acaba fazendo a gente enxergar um outro lado bom nosso”, conclui.

Oportunidade

Maria, de 39 anos,  transformou os desafios da maternidade atípica em uma oportunidade de empreender. Mãe de João Salvador, 8 anos, diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA) nível 2 de suporte, ela conta que precisou reorganizar a rotina após a pandemia. Formada em Administração, trabalhava em um hotel quando a empresa encerrou as atividades devido à crise sanitária.

Foi nesse período que passou a acompanhar mais de perto as terapias e as demandas do filho, buscando profissionais e recursos que contribuíssem para seu desenvolvimento. A empreendedora relata que sempre buscou oferecer ao filho uma rotina pautada pela autonomia e pela inclusão. A empreendedora conta que João cresceu participando das atividades do dia a dia da família, frequentando escola, passeios e ambientes sociais como qualquer outra criança. 

Maria revela que João era matriculado em escolas particulares desde a primeira infância, e que os custos da educação aumentaram ao longo dos anos. Diante das despesas relacionadas à criação do filho e da necessidade de complementar a renda familiar, ela decidiu buscar uma nova fonte de sustento. Acostumada a empreender mesmo durante o período em que trabalhava com carteira assinada, Maria encontrou na produção de geladinhos gourmet uma oportunidade para transformar sua experiência em negócio próprio. 

A gente começou a vender geladinho aqui na minha casa e eram vários motoboys, eu fazia os geladinhos, descia escada pra entregar pra eles, subia escada para fazer mais geladinhos e assim a demanda foi crescendo. Eu fazia geladinho na parte da tarde, quando o João não tinha terapia

Com a demanda crescendo constantemente, dois anos depois Maria deu um passo importante para seu negócio: abriu seu primeiro ponto físico de geladinhos. Com um espaço maior, ela conseguiu ter mais opções e agora vende bolos caseiros, bolos vulcões e diversas outras sobremesas. A loja, que hoje conta com cinco funcionários, não apenas sustenta as contas da casa, mas também realiza sonhos da família. “Hoje a gente tem nossa casa própria e um carro. Tudo isso através do nosso empreendimento”.

Maria acredita que o sucesso do negócio começou com João. O filho a fez enxergar possibilidades além do que ela tinha em vista.  “Eu sempre digo que João não me prende, João é quem me solta. Ele me mostrou os caminhos que talvez eu não iria caminhar se não fosse com a ajuda e a evolução dele”.

Rede Mães Atípicas

As dificuldades relatadas por Mayara, Leidiane, Nathália, Luma e Maria não são individuais, mas sistemáticas. A partir dessa percepção, foi criada a Rede Mães Atípicas, um negócio social que tem como objetivo apoiar mães de pessoas com deficiência e mães com deficiência no desenvolvimento de habilidades empreendedoras, promovendo autonomia financeira e qualidade de vida. 

A iniciativa foi fundada em 2019 por Patrícia Salvatori, doutora em Ciências da Comunicação e também mãe atípica. A rede nasceu da convivência com outras mulheres que enfrentam desafios semelhantes e da constatação de que os impactos do cuidado sobre a vida profissional dessas mães permaneciam invisíveis. “A Rede nasce justamente da percepção que existe uma dimensão social, econômica e política do cuidado que ainda permanece invisibilizada e o impacto disso sobre a vida profissional das mães é enorme”, relata.

A Rede atua fortalecendo conexões, visibilidade e oportunidades para mães atípicas, especialmente por meio do empreendedorismo, da circulação econômica e da construção de redes profissionais. São desenvolvidas feiras de empreendedoras, divulgação de negócios, eventos, capacitações e articulações que ajudam essas mulheres a ampliar renda, visibilidade e possibilidades de permanência no mundo do trabalho. 

Além do apoio ao empreendedorismo, a Rede também atua junto a empresas e organizações, promovendo palestras, treinamentos e projetos sobre cuidado, inclusão e permanência profissional. O objetivo é ampliar a compreensão sobre os impactos da maternidade atípica na carreira das mulheres e estimular ambientes de trabalho mais acolhedores. 

A criadora da Rede diz que, apesar do Brasil possuir algumas políticas públicas voltadas às pessoas com deficiência, ainda não existem políticas públicas estruturadas voltadas especificamente às mães atípicas e ao impacto social do cuidado. Patrícia analisa que existe um vazio para políticas de permanência profissional, suporte financeiro, saúde mental de cuidadoras, rede pública de apoio ao cuidado de longo prazo e políticas de trabalho compatíveis com essa realidade. 

O cuidado ainda é tratado como uma questão privada das famílias, quando na verdade deveria ser entendido como tema social, econômico e político. Enquanto isso não for enfrentado de maneira estrutural, continuaremos vendo milhares de mulheres saindo do mercado de trabalho, adoecendo ou vivendo em situação de sobrecarga permanente