O descarte que destrói
A falta de consciência ambiental da população e o descumprimento das leis por parte das empresas colocam o meio ambiente em risco. Em um cenário em que os resíduos aumentam e a reciclagem não avança, a situação torna-se preocupante

Estefany Benachio e Milena dos Anjos
O descarte irregular de resíduos origina uma série de problemas. Ele expõe a falta de cuidado da população com o lixo que produz, algo que provoca a contaminação do solo e da água, além do aumento de danos à saúde e prejuízos econômicos. Diante desse cenário, a questão primordial é reunir todos os setores da sociedade para reverter os danos já causados e impedir novos impactos. Mesmo considerada uma das principais soluções, a reciclagem ainda não é adotada de maneira ampla, o que agrava a situação.
A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), criada pela Lei nº 12.305 em 2010, marcou a gestão ambiental do Brasil. Ela definiu a responsabilidade compartilhada entre o governo, empresas e consumidores para reduzir, reaproveitar e reciclar resíduos, com prazo até 2024 para eliminar os lixões. Entretanto, os dados da Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (ABREMA), 2024, mostram o contrário, pois a PNRS não foi cumprida e os lixões continuam em atividade, sendo apenas 58,5% dos resíduos encaminhados corretamente.
A bióloga Dayane Mello explica que enchentes, proliferação de doenças e contaminação de animais estão diretamente ligadas aos detritos abandonados. Ela destaca que rios e mares também são alvo de danos, já que o lixo despejado nesses locais reduz o oxigênio da água e pode levar à morte de peixes e outros organismos. A bióloga acrescenta que a reciclagem permanece entre as estratégias mais eficazes por diminuir a pressão sobre os recursos naturais e evitar que mais resíduos alcancem a natureza.

O professor e filósofo Vitor Rosa aponta que os produtos atuais são projetados com prazo de validade curto, o que incentiva o descarte em favor de novas aquisições. Para ele, a cultura consumista é alimentada pelo constante lançamento de tendências e pela crença de preencher emoções por meio das compras. O filósofo considera que cada ação individual afeta a sociedade como um todo e reforça a necessidade da promoção de uma cultura de colaboração e cooperação.
Por essa razão, a educação ambiental é fundamental para desenvolver uma sociedade responsável com a sustentabilidade. O professor Vitor explica que esse tipo de educação forma pessoas capazes de analisar a realidade e entender a situação em que vivem. Além disso, as políticas públicas e campanhas de conscientização são essenciais nesse processo. Vitor ressalta que há diversos projetos em andamento, mas sua eficácia depende da aceitação dos cidadãos, algo dificultado pelo consumismo exagerado.
Evanilde Pereira, moradora do bairro Castelo Branco, em Cariacica, há 40 anos, apresenta sua visão sobre o tema. Ela observa que, ao contrário dela, as pessoas do seu bairro não têm cuidado com a coleta, o que provoca mau cheiro. Já Evandro Júnior, morador da mesma região, complementa que os bueiros frequentemente ficam entupidos, causando enchentes na área. Um ponto em que ambos concordam é que cada um deve cumprir com sua responsabilidade, assim como os serviços de coleta.
Diante dos relatos, fica evidente que os descartes e os problemas envolvendo o lixo vão além de ações isoladas. A Organização Das Nações Unidas (ONU) para o meio ambiente, aponta que resultados efetivos dependem que as empresas assumam a responsabilidade pelo que geram e sigam as normas ambientais. A organização acrescenta que o poder público precisa fiscalizar com rigor e que a população adote práticas responsáveis. Nesse cenário, a ONU considera a reciclagem como uma das soluções mais viáveis.