Série live-action de One Piece é um verdadeiro fenômeno; entenda o hype

Após o sucesso da primeira temporada na Netflix, a adaptação do mangá japonês ganhou continuidade na plataforma de streaming

A segunda temporada da série live-action do anime One Piece estreou com 100% de aprovação da crítica (Fotos: Reprodução/Instagram/@onepiecenetflix)

Isadora Favoreto

One Piece: A Série, versão live-action do mangá criado por Eiichiro Oda, consolidou-se como um grande sucesso no catálogo da Netflix. A segunda temporada, lançada dia 10 de março, alcançou 100% de aprovação da crítica especializada no site Rotten Tomatoes, considerando 26 avaliações em uma semana.

A produção acompanha a jornada de um grupo de piratas comandado por Monkey D. Luffy, jovem de corpo elástico que tem como objetivo se tornar o novo Rei dos Piratas. Para alcançar esse sonho, ele precisa encontrar o lendário “One Piece”, um tesouro misterioso deixado pelo Rei dos Piratas.

Segundo a sinopse divulgada pela Netflix, os novos episódios apresentam desafios ainda mais intensos e inimigos mais perigosos. Luffy e sua tripulação seguem rumo à Grand Line, região mais arriscada dos mares. Lá estaria escondido o One Piece. Durante a busca, o grupo enfrentará condições marítimas imprevisíveis, ilhas incomuns e adversários ainda mais poderosos.

A adaptação live-action

Na adaptação em live-action, One Piece: A Série apresenta mudanças narrativas e estruturais em relação ao mangá original, com ajustes pensados principalmente para o formato televisivo.

O streamer Rômulo Miranda, de 27 anos, conhecido por lives na Twitch e vídeos no canal do YouTube, reage a filmes, séries e animes. Para ele, uma adaptação não precisa copiar completamente a obra original, mas é necessário manter a essência.

Tem coisas em One Piece e em outras obras que fazem a obra ser o que ela é, e essas coisas têm que ser mantidas e respeitadas.

Rômulo Miranda: “Eu vejo que a essência dos personagens permanece presente também no live-action” (Foto: Arquivo Pessoal)

Rômulo afirma que as indústrias cinematográficas costumam optar pelo estilo ocidental de Hollywood, abandonando a fidelidade para abraçar um público maior, o que desagrada os fãs da obra original, que seriam o principal público-alvo. Segundo ele, isso não aconteceu no live-action de One Piece.

One Piece é um anime muito caricato e com muitas loucuras. O receio foi diminuindo com a divulgação do material promocional, do elenco e das imagens, além de que o próprio Oda estava envolvido na produção.

O envolvimento direto do criador Eiichiro Oda na supervisão criativa foi considerado um fator decisivo para o sucesso, consolidando a série como referência positiva para futuras produções live-action baseadas em animes e mangás.

Repercussão

O live-action de One Piece teve repercussão internacional positiva e foi bem recebida por crítica e público. A série destacou-se pela fidelidade ao material original e pelo equilíbrio entre ação, humor e emoção.

Nas redes sociais, tem atraído tanto fãs do anime quanto novos espectadores, diferenciando-se de outras adaptações do gênero que não obtiveram o mesmo êxito. Entre esses dois públicos, a adaptação da obra de Eiichiro Oda está tendo recepções diferentes.

Rômulo Miranda conta que percebeu diferenças na recepção da série entre os públicos. Segundo ele, quem já conhecia a obra tem costume de comparar a adaptação com a obra de base, ao mesmo tempo que aceita mais as loucuras que o live-action abraçou. Por outro lado, o streamer afirma que aqueles que conheceram One Piece pela série costumam estranhar essas maluquices que a série aderiu.

Além disso, Rômulo acredita que a série ajudou a atrair novos fãs para o universo de One Piece. Ele conta que recebe diversos comentários em seus vídeos, dizendo que nunca leram a obra original, mas que gostaram da série e pensam em começar a acompanhar o anime.

É legal esse novo público dar uma chance para um tipo de conteúdo que não chegaria até eles. Eu acho que as adaptações têm o propósito de divulgar esse tipo de narrativa, pois a série é uma outra forma de contar história, com outro tipo de cultura, que globaliza essas obras voltadas ao público oriental.

Novos públicos

Giovana Favoreto, de 55 anos, assistiu apenas o live-action e contou que entender a história foi relativamente fácil. Mesmo sem nunca ter consumido mangás e animes, Giovana se sentiu imersa na produção, compreendendo toda a história.

Segundo ela, algumas partes só foram possíveis de entender com os fatos sucessivos, como o funcionamento dos poderes. Porém, na medida em que os episódios avançavam, conseguiu as respostas que queria.

Giovana Favoreto: “Fiquei muito curiosa pela história familiar do protagonista, me perguntei como que um pirata é neto de um Vice-almirante da Marinha” (Foto: Arquivo Pessoal)

De acordo com Giovana, a série é bem explicativa, principalmente quando traz ao telespectador a vida de cada personagem.

Essa dinâmica foi muito interessante, pois faz os personagens cativarem ainda mais o telespectador. A gente se identifica com eles

Ela conta que o que mais despertou sua atenção foram as analogias ao mundo atual: “Traz muitas reflexões sobre temas profundos, como o racismo, a corrupção e o autoritarismo, e temas leves, como a amizade e a lealdade”.

Assim, a versão live-action de One Piece se destaca como uma adaptação bem-sucedida, pois une fidelidade à obra original e boa recepção do público. O sucesso da série indica novos caminhos para adaptações de animes no streaming e reforça o potencial do gênero no mercado audiovisual atual.