Casamento e maternidade: a visão de mulheres de diferentes gerações
Relatos de diferentes gerações mostram como a percepção do casamento e maternidade mudam ao longo do tempo

Marcelo Monfardini
A formação de uma família por meio do casamento e o nascimento de uma criança é um sonho presente no consciente da maioria da população, sendo considerado o objetivo central na vida das mulheres.
No entanto, isso está mudando. Com as transformações sociais ao longo dos anos, os pontos de vista sobre o matrimônio mudam de acordo com as vivências de cada geração de mulheres.
Importância da família

A bombeira militar Luana Cabral, 37, é casada há 12 anos e tem dois filhos. Para ela, o casamento é a decisão mais importante que tomou na vida e que, mesmo com desafios, tem sido uma vivência extraordinária. Por isso, ela ressalta a importância na hora de escolher o cônjuge. Luana também se preocupa em educar os filhos da mesma forma, os ensinando que vale muito a pena lutar pela família.
Além do casamento

Por outro lado, a “aliança” como um desejo de vida comum entre as mulheres, provoca um julgamento sobre as que não escolhem esse caminho.
De acordo com a psicóloga e estudante de ciências sociais Marcela Dal Bem Marcelino, 23, a idealização do casamento como principal objetivo de vida promove uma pressão em mulheres que não planejam casar ou formar uma família, porque ainda se espera que a mulher queira ser mãe e esposa.
Fora do planejamento

A formação da vida compartilhada às vezes não segue o planejado. Para Érica Ronconi, auxiliar de produção e estudante de gastronomia, 46, por mais que a gravidez e o casamento fizessem parte dos planos dela, eles vieram mais cedo do que o esperado.
Érica reforça que a maternidade é cercada de desafios, mas é a realização do seu maior sonho. O casamento por outro lado, fugiu do planejado, a auxiliar é divorciada, mas mesmo com a experiência negativa, ela permanece acreditando na união.
História reescrita
Ser casada é uma experiência de crescimento e aprendizado, Katiane de Souza, funcionária pública federal, 43, vê como o término do seu primeiro casamento foi essencial para o seu crescimento pessoal e amadurecimento. Na primeira união, teve dois filhos, o que afirma ser a experiência mais transformadora de sua vida e o motivo de sua existência.
Atualmente Katiane encontrou o amor em um novo matrimônio, e está há 1 ano casada com sua parceira.
Nossa vivência é de um amor leve, de afeto, carinho, cumplicidade e acima de tudo respeito. Tenho muita sorte pois tenho os melhores filhos do mundo e encontrei meu verdadeiro amor.

Instinto Materno
O casamento e a criação dos filhos ainda são vistos como parte de um “instinto materno”. Vera Laconelli, psicanalista e escritora do livro Manifesto Antimaternalista, constrói um panorama histórico que permite entender como esse lugar da mulher e esses mitos foram construídos historicamente, e considera que eles limitam a mulher e o reconhecimento dela na sociedade, ao papel de mãe e esposa.
Essa idealização gera culpa e sofrimento em mulheres que não conseguem dar conta de tudo que foi colocada para ela. Casar e ter filhos pode, sim, representar um projeto de vida para algumas mulheres, mas é sempre importante questionar os papéis de gênero e abrir a possibilidade de não escolha desse projeto, fato que ainda é muito malvisto e julgado pela sociedade.