“Mais importante que informar com velocidade é informar com precisão”
A importância da apuração e o compromisso com a verdade foram temas abordados por Julio Huber no bate-papo: “O Futuro do Jornalismo” na comemoração dos 30 anos do curso de Jornalismo da FAESA

Hoje, falaremos sobre Julio Huber. Convidado do evento realizado pela FAESA em comemoração ao Dia do Jornalista e aos 30 anos do curso na instituição.
O jornalista contribuiu com falas sobre temas pertinentes à prática da profissão, traçando um paralelo entre o passado, enquanto estudante, o presente, como profissional, e o futuro esperado para a área.
Quem é
Julio Cezar Huber nasceu em Marechal Floriano, é egresso FAESA e jornalista há 19 anos.
Venceu 29 prêmios de jornalismo, divididos entre nacionais e regionais. Destaque para o “Prêmio Sebrae de Jornalismo”, nacional, vencido na categoria “Fotojornalismo”.
É criador do “O Noticiário”, jornal impresso que circula na região serrana do Espírito Santo; do portal “Montanhas Capixabas” e da revista e portal “Negócio Rural”.
Sua principal área de atuação é o Jornalismo Cooperativo, voltado para as áreas do campo.
Trajetória profissional
Julio se formou em 2006 e, durante a conversa, recordou momentos importantes do percurso no mercado de trabalho: “Em 2008, assumi a correspondência do Jornal A Tribuna na região serrana, com a responsabilidade de apuração diária de notícias em mais de 10 municípios.”
Huber relembrou um fato marcante em sua carreira: “Eu estava em Vitória, enquanto fazia compras para o meu casamento, e aconteceu o incêndio na Vila Rubim. Estava com a câmera no carro. Fotografei e foi capa da Tribuna.”
“Depois da Tribuna, criei com Bruno Faustino, a revista “Negócio Rural”, que hoje também é site. Em 2010, em parceria com um sócio, Evandro Albani, criei o portal “Montanhas Capixabas”, que é o portal diário de notícias da região serrana,” acrescentou o convidado.
O jornal impresso na atualidade
Sobre o “O Noticiário”, Julio disse: “Não é fácil ter impresso hoje em dia, pois depende da publicidade e anunciantes que compartilhem a mesma visão. São poucos que conheço no Espírito Santo que o mantém.”

Complementou: “O meu jornal não é de periodicidade curta (diário, semanal). No pós-pandemia, tornou-se bimestral. Moro em uma região que, mesmo com o avanço da tecnologia e da internet, tem dificuldades para levar a notícia em certos locais. As pessoas gostam também de guardar, levar para casa para recordar e palpar.”
Apuração de notícias
Uma das competências de base para o jornalismo foi comentada por ele: “Hoje em dia, todo mundo se acha jornalista (por conta da facilidade em fotografar e a velocidade para divulgar informações). A gente tem um grande problema com apuração por isso. Chega muita coisa.”
A apuração bem-feita combate diretamente a desinformação e a mentira. Problemas enfrentados por quem trabalha com seriedade no jornalismo.

O que o jornalista do futuro precisa ter?
Perguntado, Julio respondeu: “Tem que gostar do que está fazendo. Ganhar dinheiro, ser bem-sucedido, entrevistar o papa ou o presidente são coisas para se pensar depois. Antes de tudo, é preciso gostar do que está fazendo. Gostando do que faz, se faz bem-feito.”
“É preciso se diferenciar. Fazer Jornalismo de verdade. Saber escrever é fundamental, e isso se aprende desde cedo, mas se aprimora bastante lendo,” destacou.

“Não caia na onda de que o ChatGPT vai salvar a sua vida na hora de escrever um texto. Seja você. Tenha seu perfil de escrita e se identifique com o que você escreve,” alertou Huber sobre a ferramenta, utilizada principalmente por estudantes e que tem ganho espaço em ambientes profissionais.
Perguntas do LACOS:
Qual o sentimento e a representatividade de estar voltando à FAESA para falar com estudantes?
“Quando estava cursando jornalismo, lógico que pensava no futuro. Mas não imaginei que hoje, por exemplo, teria o meu jornal, portal, negócios e poderia voltar à FAESA para contar um pouquinho sobre o que fiz nesse período desde a formação.
“Para mim é realmente muito gratificante. Guardo memórias fantásticas de colegas que se tornaram amigos, professores que tenho contato até hoje e de tudo que vivemos no curso de jornalismo.”
“Tudo que eu tenho hoje, agradeço a forma como aprendi. A FAESA foi o que realmente abriu o horizonte na minha vida.”

Gostaria que você deixasse um recado e algumas dicas para os estudantes sobre o futuro da profissão
“No 1º período comecei a participar de tudo que eu podia na faculdade. Fui monitor de todos os laboratórios, sempre escrevi muito e participava de tudo que a FAESA proporcionava. Isso dá uma bagagem muito grande para o início da carreira, então nada melhor do que a prática.”
“Na primeira experiência depois de formado dá aquele frio na barriga, mas é onde você realmente põe em prática tudo aquilo que foi aprendido.”
“Aproveitem e aprendam tudo que puderem, para que quando estiverem inseridos no mercado possam ter segurança para fazer as apurações, entrevistas e textos com competência.”
Bate-papo: “O Futuro do Jornalismo”
Fique ligado aqui no LACOS para não perder nada de como foi o evento.
Com textos e entrevistas, abordaremos, durante a semana, a participação de cada um dos convidados no bate-papo.
Imagem de Destaque: (Foto: Mirela Rodrigues Machado)