Darly Junior superou desafios para realizar o sonho: ser publicitário

Francine de Souza Gomes

Por meio de uma tela de computador, com fone no ouvido e no silêncio do cômodo escolhido para entrevista, Darly Gonçalves de Souza Junior me permitiu conhecer detalhes de uma história de vida inspiradora. Com os olhos brilhando e um grande sorriso no rosto, características marcantes do publicitário, ele me contou os pontos mais significativos da trajetória que têm construído. O caminho trilhado por ele não é calmo e nem quieto, mas encanta e apresenta momentos marcantes.

Darly Junior deixou Boa Esperança, interior do Espírito Santo, para trabalhar na área de petróleo em Macaé, no Rio de Janeiro. Infeliz, largou o emprego e voltou para casa. Organizou os pensamentos, traçou o caminho e embarcou na viagem para realizar o sonho da vida: ser publicitário (foto: arquivo pessoal)

Nascido em Nova Venécia e criado em Boa Esperança, cidades do interior do Espírito Santo, é o mais novo dos cinco irmãos. Ele aproveitou a infância da melhor forma: passava horas brincando na rua. Sem contato com tecnologia e morador de uma cidade tranquila, podia desfrutar da qualidade de vida de um típico interiorano. O publicitário, de 30 anos, sempre foi dedicado aos estudos e adorava descobrir coisas novas e realidades distintas por meio da leitura.

Darly tem como referência a Escola Rural, onde estudava oito horas por dia. Além das matérias convencionais das instituições de ensino, teve a oportunidade de se desenvolver como ser humano com a grade inovadora oferecida pela Escola. Ele se sentia privilegiado por estar ali.

Nossa escola era a única que tinha laboratório de informática. Eu amava isso porque sempre fui muito curioso e um verdadeiro fascinado pela internet

Darly Junior

Ele descobriu que o sangue publicitário corria nas veias na disciplina de Economia Doméstica. Ao realizar um projeto sobre o uso de cores na publicidade, se apaixonou por esse mundo. A professora percebeu que ele apresentou o trabalho com brilho nos olhos e viu que a vocação dele era essa. Ela chamou Darly para conversar e plantou a sementinha da Publicidade e Propaganda na cabeça dele.

Depois desse dia, passou a pesquisar tudo sobre o curso. Usava livros e guias para conhecer um pouco mais sobre a graduação que o coração já tinha escolhido. No entanto, não teve apoio da família, que achava que a área da comunicação não daria bons frutos. Ele conta que os familiares, principalmente os irmãos, achavam que não teria futuro na área. Contudo ele não se preocupava em ganhar muito dinheiro. Queria ser feliz.

Nessa época, foi bastante influenciado pelos irmãos a escolher uma graduação ligada ao petróleo para conseguir um emprego rápido e que pagasse bem. Por isso, enquanto estudava Administração a distância, foi morar em São Mateus, município do interior do Espírito Santo, com uma das irmãs e fez um concurso organizado pelo Programa de Mobilização da Indústria do Petróleo. Ele passou na seleção e, a partir desse momento, deu início a um novo capítulo da história dele.


Foco em vencer

Darly foi convocado para fazer o treinamento do Programa de Mobilização da Indústria do Petróleo e, se conseguisse se dar bem durante o processo, seria indicado para uma empresa. Dedicado e empenhado como sempre foi, conseguiu uma indicação para uma vaga de emprego em Macaé, no Rio de Janeiro. O futuro publicitário deixou Boa Esperança para trás e embarcou em uma nova realidade.

No trabalho que conseguiu, ele passava a maior parte dos dias nos navios da empresa e foi nesse momento que ele precisou exercitar o inglês que aprendeu com os livros na infância. O chefe e a maioria dos colegas de trabalho eram gringos. Darly teve o privilégio de ter contato com inúmeras culturas sem deixar o Brasil. O jovem, que sonhava em ser publicitário, conheceu gente do mundo todo

Darly, antes de buscar a Publicidade e Propaganda, trabalhou na área de petróleo (foto: arquivo pessoal)

Durante os anos em que trabalhou embarcado, construiu o repertório que carrega consigo até hoje. Darly soube lidar com uma trajetória que estava longe de ser um mar de rosas. Ele diz que por mais que não estivesse feliz onde estava, teve a oportunidade de aprender coisas que nem sabia que existiam. Esses momentos bons e ruins serviram para formar o ser humano e o profissional que é hoje. 


Persistência e realização

Depois de um longo período trabalhando insatisfeito e infeliz, decidiu largar tudo para correr atrás do verdadeiro sonho: ser publicitário. Voltou para Boa Esperança ainda mais decidido a cursar publicidade. Antes de conseguir o FIES, trabalhou na empresa dos irmãos, mas, dessa vez, ele não deixou ser influenciado. Ele iria cursar publicidade.

Darly na empresa Resultate (Foto: arquivo pessoal)

Mais uma vez deixou a cidade natal e veio morar na capital capixaba. A diferença desta para a primeira vez em que saiu do interior estava estampada no rosto. Ele exalava felicidade nas aulas do curso que tinha escolhido para a vida. Na FAESA Centro Universitário, ele comprovou o que a professora da Escola Rural já sabia. A vocação dele é ser publicitário. É por isso que não teve medo em procurar por estágios na área. Ele sabia que estaria feliz, não importava a vaga que conseguisse.

Logo nos primeiros períodos da graduação, Darly começou a atuar na área. Sonhador como sempre foi, ele queria ter a chance de trabalhar como redator. Por isso, correu atrás de encontrar a vaga sonhada. Ele recebeu muitos “não”, mas não se deixou abater. A indicação de uma professora do curso de Publicidade e Propaganda o levou para a empresa Resultate. A entrevista, que era para o estágio, acabou sendo uma oportunidade para ele ser contratado como funcionário da empresa. O primeiro emprego na área. Atualmente, ele é assistente de conteúdo na Tipz Comunicação.

É incrível como a coisas acontecem na hora certa. Minha professora Carine Cardoso me indicou para uma agência. Assim, eu, de fato, pude realizar meu sonho de menino

Darly Junior

O caminho de Darly na faculdade continua sendo vitorioso. Em 2019, ele, que está cursando o oitavo período da graduação de Publicidade e Propaganda na FAESA, apresentou um artigo no Intercom Júnior e, junto com o grupo de colegas do curso, venceu a Expocom Sudeste na categoria “Charge, Caricatura e Ilustração”, o que os proporcionou chegar a final nacional da premiação, em Belém, no Pará. Para ele, esses prêmios o ajudaram a ganhar destaque no mercado de trabalho. Além disso, Darly tem muito orgulho e felicidade em ser reconhecido no que ele ama.

Apresentação no Expocom em Belém, no Pará (foto: arquivo pessoal)

O publicitário deixou o interior e foi para o mundo descobrir toda a potencialidade que carrega. Ainda que enfrente desafios, ele tem a certeza que está onde sempre sonhou. Por isso encara a vida com mais leveza e comemora cada pequena conquista como uma grande vitória. Como lição, ele nos inspira a batalhar pelo o que acreditamos, pois com persistência vem a realização.

Edição: Isabela Wilvock

Foto do Destaque: arquivo pessoal