Jovens modificam a própria realidade por meio de projetos sociais

Hugo Dadalto

As brincadeiras dão lugar as chamadas “coisas de gente grande”. Essa, é uma das características que podem definir a ideia de juventude no Brasil. Entre os estudiosos, o período é delimitado como uma faixa de transição entre a infância e a fase adulta. É nesse contexto de transformações físicas e comportamentais que os projetos sociais desempenham papel fundamental na vida dessas pessoas, desenvolvendo as potencialidades, ressignificando o futuro e abrindo novos caminhos para a realização dos sonhos deles.

O aluno do Instituto Ponte, Samuel, 15 anos, morador do município da Serra, fala com alegria sobre as atividades educativas que participa no projeto. O estudante conta que conseguiu melhorar a maneira como aprende os conteúdos didáticos por meios das aulas dinâmicas e interativas que são ofertadas. Ele destaca, ainda, o amor que tem pelos números e a Matemática, revelando o desejo que criou, pelo apoio que recebe da iniciativa, de cursar Economia ou Engenharia Aeroespacial.

O Instituto Ponte é uma ação que visa a ascensão social de jovens por meio da Educação. A psicóloga e uma das coordenadoras educacionais do projeto, Amanda Prezentino, explica que são ofertados aos alunos bolsas em instituições particulares e cursos de inglês e eles são acompanhados até a formação no ensino superior. Ela ressalta que os aprendizes recebem instruções de desenvolvimento pessoal e apoio psicológico, visando dar suporte e estimular o fortalecimento de habilidades como foco, respeito, garra e dedicação, por exemplo.

Amanda Prezentino reafirma o papel transformador que a Educação e as atividades do instituto desempenham na vida dos jovens, fortalecendo as habilidades de cada um deles e ampliando os horizontes para as conquistas pessoais. Para a coordenadora, a troca de aprendizagens que tem com os participantes da organização social é gratificante, pois vai além do espaço da sala de aula. Ela complementa, emocionada, a satisfação em ver a conquista dos estudantes. Por meio das aulas que leciona, ela consegue estimular neles a possibilidade de conquistarem sonhos e objetivos próprios.

Uma das produções realizadas pelo projeto foi o documentário “Favela Resiste – visão de cria” com o depoimento de três jovens narrando as próprias vivências pessoas (Foto: Arquivo/Coletivo Beco)

Outro exemplo de iniciativa social voltada para o público juvenil vem do Bairro da Penha, em Vitória. Fundado em 2019 pelo Coletivo Beco, o Se Conecta Juventude, que contempla jovens residentes no Território do Bem, explora tarefas que são sugeridas pelos próprios participantes. A ideia é criar mecanismos que possam atender as demandas da comunidade e possibilitar que os jovens consigam construir atividades a partir das próprias narrativas pessoais, abrindo oportunidades para desenvolverem o protagonismo e a criatividade.

A presidente da organização, Crislayne Zeferina, pontua que esse trabalho visa garantir a aplicação efetiva de políticas públicas voltadas para a juventude, sobretudo a negra que reside em comunidades. Além disso, ela salienta a oportunidade que os jovens da periferia têm em ampliar olhar de modo mais cooperativo entre eles e menos individualizado por meio de ações que estimulam o pensamento crítico. A gestora complementa, ainda, que todo o aprendizado pelos integrantes do projeto é retornado para a comunidade com o dever que cada um deles possui de multiplicar os conhecimentos aprendidos para mais pessoas.

Abrangendo o mesmo eixo da juventude, iniciativas como o projeto “Campeões de Futuro”, “Uni + On: Agentes Jovens Comunitários” e “Campo Bom de Bola” também são outros modelos que englobam esse grupo. Essas ideias práticas também seguem o preceito de estimular a formação cidadã de jovens e adultos e promover a inclusão social, permitindo a redução das desigualdades e ofertando o acesso ao esporte, cultura, educação e lazer.

Inspiração

As alunas de Lorraine veem nela a inspiração para se tornarem professoras (Foto: Arquivo Pessoal/Lorraine Modesta)

Lorraine Modesta encontrou na Educação a chance de modificar a própria história e a das pessoas que a rodeia. Moradora da comunidade do Jaburu, na capital capixaba, foi durante a participação na primeira turma do projeto Se Conecta Juventude que ela pode explorar o gosto que tem de estar próxima a crianças e aumentar o desejo de ser professora. Nesse contexto de troca de experiências que, por meio da iniciativa do Coletivo Beco, a jovem conquistou uma bolsa de estudos no curso de Pedagogia em uma instituição particular de ensino superior.

Na composição familiar da jovem, Lorraine é a primeira entrar em uma faculdade. Sempre envolvida nas atividades escolares, a estudante fala que sentia necessidade de estar presente dentro do espaço educacional. A participação no projeto acabou aumentado a vontade que desenvolve desde criança e que, hoje, é motivo de inspiração para os alunos do local no qual estagia e põe em prática o que aprende no ensino superior. “Ter exemplos a sua volta, dá muito mais expectativas para você se empenhar a querer ser mais”, exclama a estudante.

Lorraine tem como meta para o futuro atuar em escolas da comunidade em que vive para modificar a realidade de outras crianças. Ter novos olhares, ser uma pessoa melhor e ter o protagonismo da própria história de vida são princípios que Lorraine leva no coração. Ela tem a vontade de transferir um pouco desses preceitos para os futuros alunos e o filho, o pequeno Emerick.


Edição: Hugo Dadalto

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